Banco Mundial vê guerra no Irã aproximando o mundo do cenário de crescer só 1,3% em 2026
Economista-chefe Indermit Gill afirmou que o pior cenário do relatório de junho está mais perto de se concretizar e alertou para o endividamento de países pobres
O economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, afirmou nesta quarta-feira (22) que a economia mundial caminha para o cenário adverso projetado pela instituição em junho, no qual o crescimento global despencaria para 1,3% em 2026 — menos da metade do ritmo de 2025. A hipótese consta do relatório Global Economic Prospects, publicado em 11 de junho, e se materializa se as interrupções no fornecimento de energia forem mais severas do que o previsto e vierem acompanhadas de forte estresse financeiro.
No cenário-base do mesmo documento, o Banco Mundial projeta crescimento global de 2,5% neste ano, ante 2,9% em 2025, com o barril do Brent a US$ 94 em média — 36% acima do ano passado — e inflação global de 4,0%. No cenário adverso, o petróleo saltaria para US$ 115 e a inflação cheia iria a 4,4%. O relatório atribui a desorganização do mercado de energia ao fechamento do Estreito de Ormuz e traz o título mais duro dos últimos anos: o conflito no Oriente Médio levou o crescimento global ao menor patamar desde a pandemia. Dois terços das economias tiveram projeção cortada em relação a janeiro; a zona do euro caiu para 0,8% e a China, para 4,2%.
Gill dirigiu o alerta mais grave aos países endividados: cerca de 40% das economias de baixa e média renda estão em situação de estresse financeiro ou alto risco de endividamento, com dívida média equivalente a 74% do PIB em 2025, ante 50% a 55% antes da pandemia. "É um descarrilamento de trem em câmera lenta", disse. Segundo ele, o efeito completo ainda não apareceu porque os juros dos títulos desses países não subiram: "Minha impressão é que talvez estejamos a poucos meses disso". O economista, que deixa o cargo no fim de agosto, também condicionou o cenário adverso à continuidade das hostilidades por seis meses ou mais.
Fonte: InfoMoney / Reuters.