De la Espriella enterra a "paz total" de Petro e fecha as mesas de diálogo com nove resoluções
O governo colombiano encerrou os espaços de conversa abertos pela gestão anterior com dissidências das Farc e grupos armados, revogou o reconhecimento dos delegados e reativou ordens de captura contra chefes das Autodefesas Conquistadoras da Serra Nevada
O governo do presidente Abelardo de la Espriella encerrou oficialmente as negociações com grupos armados ilegais herdadas da política de "paz total" de Gustavo Petro, por meio de nove resoluções assinadas em 28 de agosto e divulgadas no sábado (29).
Os atos fecham as mesas mantidas com o Estado Mayor Central (EMC), a maior dissidência das antigas Farc, com o Estado Mayor de los Bloques y Frentes do Magdalena Medio, com a Coordenadora Nacional do Exército Bolivariano (CNEB) e com as Autodefensas Conquistadoras de la Sierra Nevada (ACSN). Além de encerrar os diálogos, o governo revogou a designação dos representantes oficiais nas delegações e retirou o reconhecimento dos delegados dos grupos armados.
A Resolução 348, de 28 de agosto, determinou a reativação das ordens de captura contra chefes das ACSN e revogou a designação do coordenador governamental naquele espaço, deixando a organização sem interlocução oficial.
A justificativa apresentada é a “ausência de vontade real” de negociar compromissos verificáveis. A chamada paz total foi a bandeira do governo Petro e vinha naufragando havia meses: as conversas com a guerrilha do ELN e com o próprio EMC já haviam sido suspensas pelo antecessor, que alegou falta de disposição para a paz enquanto os grupos seguiam expandindo economia criminal e controle territorial.
A decisão marca a virada de método na Colômbia — do diálogo com o crime armado para a linha dura — e tem efeito direto sobre a segurança na fronteira e sobre as rotas do narcotráfico que abastecem também o Brasil.
Fonte: El Tiempo (Colômbia).