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Coluna de Opinião

EUA e China estendem trégua tarifária, mas questões profundas permanecem

Acordo por mais dois meses adia confronto comercial, mas deixa em aberto temas cruciais como tarifas básicas e terras raras

Rafael Antunes ·2 min
EUA e China estendem trégua tarifária, mas questões profundas permanecem
Foto: vietnam.vn

Os Estados Unidos e a China prorrogaram sua trégua comercial até 10 de janeiro de 2025, resultado concreto da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca. O acordo ganha tempo para negociações, mas não resolve os conflitos estruturais que alimentam a guerra comercial entre as duas maiores

A extensão da trégua tarifária por dois meses é mais um respiro do que uma solução. Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o acordo evita que a suspensão temporária da guerra comercial expire em novembro, criando um intervalo até janeiro para que os negociadores avancem em temas econômicos. Na prática, é um adiamento que reconhece a complexidade das pendências — e o risco de uma escalada prejudicar ambos os lados.

O pano de fundo revela por que essa trégua importa. A China comprometeu-se em comprar 25 milhões de toneladas de soja americana, mas ainda está atrasada na compra de US$ 17 bilhões em outros produtos agrícolas. Esses números mostram que o comércio agro entre os dois países continua sob pressão, mesmo com acordos assinados. Para o Paraná, que tem na soja uma das suas principais exportações — e que depende de mercados globais abertos —, um colapso das negociações EUA-China significaria turbulência nos preços e na demanda.

O que não foi resolvido, porém, diz muito. Tarifas básicas, acesso a terras raras chinesas e restrições tecnológicas ficaram de fora dessa prorrogação. São questões estruturais que definem o tipo de relação comercial entre Washington e Pequim nos próximos anos. Trump insistiu que a China apoie pressão econômica contra o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz — rota crítica para energia global —, mas Pequim, principal parceiro comercial iraniano, respondeu com cautela.

Há perspectivas de novas discussões em cúpulas multilaterais em Shenzhen e Miami antes do fim do ano. Esses encontros prometerão clareza sobre os temas deixados em suspenso. Enquanto isso, mercados globais de commodities, energia e tecnologia continuam em compasso de espera — e o Brasil, por tabela, também fica à mercê dessa incerteza.

Com informações de www.vietnam.vn (fonte no link).

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