Governo prepara térmicas de reserva com risco de El Niño forte no 2º semestre
Em reunião do CMSE, o ONS avisa que poderá acionar usinas térmicas em cenários adversos; Sul recuperou reservatórios em junho
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ligado ao Ministério de Minas e Energia, reuniu-se em 1º de julho de 2026 e registrou alta probabilidade de El Niño de intensidade forte ou muito forte no segundo semestre. Diante disso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que prevê uso complementar de usinas termelétricas em cenários de maior demanda ou clima desfavorável, ao lado da operação otimizada das hidrelétricas do São Francisco e de Itaipu.
A leitura do CMSE combina cautela e realismo operacional. De um lado, o comitê reconheceu que junho trouxe melhora hidrometeorológica no Sul, especialmente na bacia do Iguaçu, ajudando a recompor reservatórios e reforçando a segurança do abastecimento para 2026. De outro, o órgão admitiu que um El Niño intenso pode bagunçar o regime de chuvas justamente na fase de estiagem, quando os reservatórios já estão sob pressão.
A resposta é pragmática: manter a térmica como seguro. O ONS deixou claro que o despacho adicional de usinas térmicas será acionado apenas se as condições piorarem, evitando custo desnecessário na conta enquanto houver água. Os dados do comitê também mostram o Brasil como exportador de energia na margem: em junho de 2026, a exportação térmica somou 1.169,5 MW médios (814 GWh), com 85% destinados à Argentina e 15% ao Uruguai.
Fonte: Poder360.