Governo recua na urgência da reforma da jornada de trabalho
Retirada da prioridade legislativa muda o tabuleiro político e abre espaço para negociações no Senado
O governo Lula decidiu retirar a urgência constitucional do projeto que regulamenta o fim da escala 6x1 e redução para 40 horas semanais, mudando a estratégia legislativa e perdendo um instrumento de pressão sobre o Senado.
A decisão, tomada nesta terça-feira (16), representa um recuo tático do Planalto. O projeto seguia para votação na Câmara sob condução do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), mas sem a urgência que o governo havia inicialmente solicitado. Isso altera fundamentalmente a dinâmica da votação: sem a prioridade legislativa, o texto perde força política e abre espaço para negociações mais lentas e complexas.
O cenário revela tensões internas à coligação governista. Enquanto petistas criticam a retirada — um deles disse não conseguir entender a decisão —, o presidente da Câmara mantém sua posição de prudência fiscal. Motta vem sinalizando ao Planalto que não votará o que chama de "pautas-bomba", priorizando a responsabilidade com as contas públicas. Esse gesto foi bem recebido pelo governo.
A reforma da jornada de trabalho agora depende de duas frentes: a PEC (emenda constitucional) que já passou na Câmara e aguarda movimento no Senado, sob comando de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o projeto de lei que regulamentaria a mudança. Sem urgência, o segundo fica numa fila de prioridades menos definida.
Politicamente, o Planalto perdeu um instrumento para pressionar Alcolumbre e forçar votação antes das eleições municipais. Agora o jogo está nas mãos do Senado, onde as dinâmicas são menos previsíveis e as negociações mais demoradas. Para o governo, é um avanço menor na agenda de reformas trabalhistas; para os movimentos que pedem o fim da escala 6x1, significa que a votação não sairá do papel em breve.
Com informações de www1.folha.uol.com.br (fonte no link).