Inadimplência do crédito bate recorde histórico em maio e chega a 4,7%, aponta Banco Central
Atraso das famílias sobe a 5,6%, também o maior da série; endividamento segue em 49,8% da renda
A taxa média de inadimplência do crédito no país subiu de 4,6% em abril para 4,7% em maio de 2026, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em março de 2011. O dado, que considera atrasos superiores a 90 dias no Sistema Financeiro Nacional, foi divulgado pela autoridade monetária em 1º de julho, no relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito. Entre as famílias, a inadimplência avançou de 5,5% para 5,6%, também recorde, enquanto entre as empresas passou de 3,1% para 3,24%, o maior patamar desde novembro de 2017. O endividamento das famílias permaneceu em 49,8% da renda acumulada em 12 meses, e o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas ficou em 28,2%. O estoque total de crédito somou R$ 7,3 trilhões, com expansão de 9,5% em 12 meses.
O avanço dos calotes ocorre em um ambiente de juros elevados, com a taxa Selic no maior nível dos últimos anos, o que encarece o crédito e pressiona o orçamento das famílias endividadas. As modalidades sem garantia, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal, concentram os maiores índices de atraso e puxam a média do sistema para cima.
Para analistas, a deterioração dos indicadores acende alerta sobre a saúde financeira das famílias e sobre a capacidade de pagamento num cenário de renda comprometida. A persistência dos recordes mês a mês indica que o aperto monetário segue sendo transmitido à economia real, ainda que o estoque de crédito continue crescendo em ritmo de dois dígitos no acumulado do ano.