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Coluna de Opinião

Irã e Rússia reforçam aliança contra pressão dos EUA na cúpula da OCX

Em encontro no Quirguistão, Teerã agradece apoio de Moscou diante de sanções ocidentais e ofensiva militar

Rafael Antunes ·3 min
Irã e Rússia reforçam aliança contra pressão dos EUA na cúpula da OCX
Foto: Kremlin.ru (CC BY 4.0)

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian agradeceu Vladimir Putin pelo apoio russo contra as sanções ocidentais e a ofensiva dos EUA e Israel no Oriente Médio. O encontro aconteceu nas margens da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) em Bishkek, no Quirguistão.

O Irã não está sozinho nesta queda de braço com Washington. Na cúpula da OCX, um bloco de países — que inclui Rússia, China, Cazaquistão, Uzbequistão, Paquistão, Tajiquistão e Quirguistão — formalizou críticas conjuntas aos EUA e Israel. A chamada “Declaração de Bishkek” condenou explicitamente a guerra contra o Irã e as sanções ocidentais, argumentando que essas ações violam o direito internacional e a Carta da ONU.

O significado político é claro: enquanto o Ocidente isola o Irã economicamente, Moscou e seus aliados oferecem uma frente alternativa de legitimidade internacional. Putin reconheceu a posição iraniana “em todas as etapas”, tanto durante os combates quanto nas sanções impostas nas Nações Unidas. É uma demonstração de que, apesar do isolamento crescente, Teerã encontra espaço diplomático em fóruns multilaterais fora da órbita ocidental.

O alcance dessa aliança Irã-Rússia vai além do Oriente Médio. A OCX representa um contrapeso geopolítico à influência americana na Ásia Central e representa também uma reconfiguração das relações internacionais: blocos regionais fortes questionando a hegemonia ocidental. Para Moscou, apoiar o Irã consolida sua posição como potência que desafia Washington; para Teerã, é sobrevivência política e econômica sob pressão de sanções que afetam desde o petróleo até transações bancárias.

Do ponto de vista paranaense, essa tensão geopolítica tem impactos reais nos preços das commodities e na energia global. O Paraná, grande produtor e exportador de grãos e fertilizantes, depende de rotas comerciais estáveis e preços previsíveis. Qualquer escalada no Oriente Médio afeta o custo do petróleo, que por sua vez impacta o frete marítimo e os custos de produção agrícola — insumos que chegam por navios atravessando o Golfo Pérsico. Além disso, a volatilidade geopolítica tende a pressionar o dólar, afetando a competitividade das exportações paranaenses.

A posição russa em favor do Irã também tem peso nas negociações sobre fertilizantes. A Rússia é um dos maiores fornecedores mundiais de potássio e nitrogênio, justamente o que os agricultores paranaenses precisam. Sanções ocidentais contra Moscou podem desorganizar essas cadeias de suprimento, impactando diretamente os custos de produção no estado.

Com informações de www.brasildefato.com.br (fonte no link).

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