Juiz dos EUA marca para 1º de junho de 2027 o julgamento de Maduro por narcoterrorismo
Audiência em Nova York fixou o calendário do processo; defesa vai alegar imunidade de chefe de Estado em novembro
O juiz federal Alvin K. Hellerstein marcou para 1º de junho de 2027 o julgamento de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, na Corte Federal do Distrito Sul de Nova York. A decisão foi tomada em audiência nesta quarta-feira (22), no tribunal Daniel Patrick Moynihan, em Manhattan, a partir de proposta conjunta da promotoria e da defesa. Maduro responde por quatro acusações, entre elas conspiração para narcoterrorismo e para importação de cocaína.
O calendário fixado prevê que a defesa apresente até 2 de setembro deste ano a primeira rodada de pedidos de arquivamento, com audiência sobre esses pedidos em 17 de novembro — ocasião em que será discutido o argumento de imunidade de chefe de Estado. A conferência final antes do júri ficou para 25 de maio de 2027. "Este é um cronograma realista. Não acreditamos que haverá atrasos", disse Barry Pollack, advogado de Maduro. O juiz sinalizou que precisará de tempo para analisar provas sigilosas a portas fechadas, sob o rito da lei americana de procedimentos para informações classificadas.
Maduro e Cilia Flores estão presos desde 3 de janeiro de 2026, quando forças especiais americanas os capturaram em uma residência em Caracas, em operação ordenada pelo presidente Donald Trump. Estão detidos no centro federal de detenção de Brooklyn e se declararam inocentes de todas as acusações. A denúncia, que traz também Diosdado Cabello e Ramón Rodríguez Chacín entre os réus, imputa a Maduro conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e artefatos destrutivos e conspiração para essa posse — crimes cujas penas vão de 20 anos de reclusão à prisão perpétua. A defesa contesta a jurisdição das cortes americanas e a legalidade da captura.
Fonte: Agência Brasil / Reuters.