Justiça francesa mantém condenação de Le Pen, mas líder da direita se declara candidata em 2027
Corte de apelação de Paris confirmou desvio de fundos do Parlamento Europeu; parte da pena de inelegibilidade expirou e abre caminho para a candidatura
A corte de apelação de Paris confirmou em 7 de julho de 2026 a condenação de Marine Le Pen por desvio de fundos do Parlamento Europeu. Segundo a decisão, o Reunião Nacional (RN) operou entre 2004 e 2016 um esquema que usou cerca de 2,8 milhões de euros de verbas europeias para pagar assessores que trabalhavam na França. O tribunal manteve uma pena de inelegibilidade de 45 meses, sendo 30 suspensos e os 15 restantes retroativos e já expirados, o que na prática permite a Le Pen concorrer. A corte também impôs detenção com tornozeleira eletrônica por um ano, além de multa. Na mesma noite, em entrevista à emissora TF1, Le Pen anunciou ser candidata à eleição presidencial. Ela afirmou que recorrerá à Corte de Cassação, movimento que suspende a aplicação do monitoramento eletrônico durante o julgamento.
O caso remonta a um sistema, apontado pela Justiça, em que assessores formalmente contratados pelo Parlamento Europeu atuavam de fato para o partido de Le Pen na França, em desvio de finalidade das verbas comunitárias. A líder da legenda de direita nega irregularidades, sustenta que o RN agiu de completa boa-fé e classifica o processo como perseguição política contra sua candidatura.
A decisão tem peso direto na corrida presidencial de 2027, na qual Le Pen aparece entre as favoritas nas pesquisas. Com a parcela não suspensa da inelegibilidade já vencida por retroatividade, a candidatura fica juridicamente viável, embora a restrição de tornozeleira só seja suspensa com o recurso à Corte de Cassação, a mais alta instância judicial da França.
Fonte: Euronews.