Justiça russa multa Boris Nadezhdin por exibir símbolo extremista e o barra das eleições de setembro
Tribunal de Dolgoprudny multou o político em 1.000 rublos, cerca de US$ 13, por link no Telegram com imagem de Alexei Navalny; decisão o impede por um ano de coletar assinaturas para a Duma
O Tribunal Municipal de Dolgoprudny, na região de Moscou, multou nesta sexta-feira (17) o político russo Boris Nadezhdin, de 63 anos, por exibição de símbolo de organização extremista, com base no artigo 20.3, parte 1, do Código de Infrações Administrativas. A multa foi de 1.000 rublos, cerca de US$ 13, a pena mínima prevista; o artigo admite até 15 dias de prisão. Quando a decisão transitar em julgado, Nadezhdin fica proibido, por um ano, de participar de eleições e de coletar assinaturas. Ele já estava impedido de concorrer desde 10 de julho, quando o Ministério da Justiça o designou "agente estrangeiro".
O Tribunal Municipal de Dolgoprudny, na região de Moscou, condenou em 17 de julho o político russo Boris Nadezhdin, de 63 anos, por exibição de símbolo de organização extremista, enquadrado no artigo 20.3, parte 1, do Código de Infrações Administrativas. A multa fixada foi de 1.000 rublos, cerca de US$ 13, pena mínima do artigo, que prevê até 15 dias de prisão. O caso teve origem em um link no canal de Nadezhdin no Telegram para o vídeo "Candidato contra Putin 2024", de Elvira Vikhareva, no qual aparece por 10 segundos uma foto de Alexei Navalny, nome inscrito pelas autoridades russas na lista de extremistas e terroristas. Com o trânsito em julgado, Nadezhdin fica impedido de participar de eleições e de coletar assinaturas. Cabe recurso.
A condenação encerra uma sequência de medidas tomadas em uma semana. Em 10 de julho, o Ministério da Justiça da Rússia designou Nadezhdin "agente estrangeiro", status que por si só barra a participação em eleições de qualquer nível, conforme emendas à lei eleitoral aprovadas em 2024. Em 13 de julho, ele foi detido pela polícia e liberado no mesmo dia, com intimação para a audiência de 17 de julho. Em 16 de julho, foi proibido de deixar o país. Nadezhdin coletava assinaturas para concorrer à Duma de Estado pelo distrito de Mytishchi, na eleição marcada para setembro. Ao deixar o tribunal, disse: "O verdadeiro objetivo do que ocorre aqui é me calar". Em 2024, ele tentou concorrer à Presidência e foi barrado pela Comissão Eleitoral Central, que alegou número excessivo de assinaturas inválidas.
Fonte: Kommersant.