Kremlin condiciona cúpula histórica a acordos prévios; negociações de paz na Ucrânia estagnam
Putin, Trump e Zelensky só se reuniriam após resolver detalhes diplomáticos. Moscou e Kiev trocam prisioneiros, mas não avançam em questões essenciais
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, deixou claro que um encontro de cúpula entre Putin, Trump e Zelensky depende de negociações complexas anteriores. Meses de diálogos diretos entre Rússia e Ucrânia produziram apenas trocas de prisioneiros e devolução de corpos.
A possibilidade de uma reunião entre os três líderes ganhou contornos mais realistas após a eleição de Donald Trump, que sinalizou disposição para mediar conflitos. Porém, o Kremlin deixou uma mensagem clara: encontros de cúpula sem um acordo prévio seriam inúteis. Dmitry Peskov argumentou que qualquer diálogo de alto nível precisa ser precedido por um trabalho diplomático robusto que resolva as questões de fundo do conflito.
Desde 2025, Rússia e Ucrânia realizaram três rodadas de negociações diretas, trocando esboços de memorandos sobre resolução do conflito. Os acordos de Istambul (2022) e as propostas apresentadas no Alasca (2025) serviriam como base, segundo Moscou. O próprio Putin, em reunião com seu governo em junho, reafirmou a disposição russa para diálogo. O problema: até agora, os únicos resultados concretos foram a troca de prisioneiros e a devolução de corpos de militares mortos.
O desencontro continua entre as partes. Em julho, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, encontrou-se com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Manila. Lavrov reafirmou as propostas russas; Rubio respondeu que ideias novas seriam necessárias. Traduzindo: os EUA não se comprometem com as posições de Moscou e esperam que a Rússia flexibilize sua postura.
Este impasse reflete a realidade do conflito: ambos os lados mantêm demandas incompatíveis. A Rússia quer reconhecimento dos territórios que controla; a Ucrânia (e os EUA) recusam isso. Peskov foi direto: o lado ucraniano se recusa a fazer acordos reais. Enquanto isso, a guerra continua, o câmbio russo segue sob pressão e a economia global permanece tensa com a incerteza geopolítica. Para o Paraná, agricultor exportador que depende de estabilidade cambial e de mercados abertos, prolongar essa indefinição prejudica.
A verdade é que cúpulas simbólicas, sem trabalho diplomático prévio, costumam fracassar. O Kremlin sabe disso. Talvez por isso condicione encontros a algo que parece cada vez mais distante: um acordo real.
Com informações de www.tribunadoagreste.com.br (fonte no link).