Manifestantes mascarados bloqueiam o porto britânico de Dover
Terminal que liga a Inglaterra a Calais e responde por cerca de um terço do comércio de mercadorias entre o país e a União Europeia ficou com o tráfego interrompido; governo britânico disse que a ação foi muito além de protesto pacífico
Dezenas de pessoas encapuzadas e mascaradas bloquearam este sábado o acesso ao porto de Dover, no sul da Inglaterra, interrompendo o tráfego marítimo, alegadamente contra a travessia de migrantes através do Canal da Mancha.
As autoridades portuárias confirmaram que o tráfego de entrada e saída do porto estava interrompido e que os manifestantes bloquearam todas as vias de acesso e saída do terminal, provocando significativos atrasos e congestionamentos nas estradas próximas. A polícia do condado de Kent comunicou que os agentes estavam presentes e em diálogo com os manifestantes.
A agência que gere as autoestradas informou que o protesto causou um engarrafamento de mais de seis quilómetros, traduzido em esperas de 45 minutos. O porto de Dover é aquele que regista mais atividade no Reino Unido, estimando-se que movimente mais de 10 mil veículos de carga e 15 mil veículos particulares por dia durante os meses de verão e assegure um terço do comércio de mercadorias entre o país e a União Europeia.
Situada a cerca de 110 quilómetros a sudeste de Londres, Dover faz a ligação entre o Reino Unido e a França (porto de Calais, onde se concentram muitos imigrantes indocumentados). Ainda que não se saiba o motivo concreto da manifestação, políticos locais apontaram o dedo à extrema-direita e aos protestos contra a imigração.
Paul King, vereador local do Reform UK, disse que o protesto visa impedir a chegada de barcos. Segundo dados divulgados no final de agosto pelas autoridades britânicas, a chegada de migrantes em pequenas embarcações diminuiu 23% entre junho de 2025 e junho de 2026, atingindo o nível mais baixo desde 2022. Os pedidos de asilo caíram 21% no mesmo período.
O deputado trabalhista Mike Tapp, que representa Dover no Parlamento britânico, criticou os manifestantes, afirmando que 40% das travessias em balsas diminuíram e pedindo que fossem para casa e procurassem trabalho.
Fonte: observador.pt.