Mercado eleva a inflação de 2026 para 5,11% às vésperas da decisão do Copom sobre os juros
Boletim Focus também projeta dólar a R$ 5,15 e mantém a Selic em queda lenta; reunião do Banco Central acontece nesta semana.
O mercado financeiro voltou a piorar a previsão para a inflação deste ano. No Boletim Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA de 2026 subiu para 5,11%, acima do teto da meta — tudo isso na semana em que o Copom se reúne para decidir o rumo dos juros.
A cada segunda-feira o Banco Central publica o Boletim Focus, uma pesquisa com mais de cem instituições financeiras que funciona como um termômetro do que o mercado espera para a economia. Na edição mais recente, a mediana das projeções para a inflação de 2026, medida pelo IPCA, subiu de 5,09% para 5,11%. O número fica acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, o que mantém o sinal de alerta ligado.

Para 2027, a expectativa de inflação ficou praticamente estável, em 4,03%. Já o dólar projetado para o fim deste ano segue em R$ 5,15, e a estimativa de crescimento da economia (PIB) em 2026 foi ajustada para 1,91% — um ritmo modesto, de um país que cresce, mas devagar.
O pano de fundo é a taxa Selic, hoje em 14,5% ao ano, um dos juros básicos mais altos do mundo. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir nesta terça e quarta-feira (16 e 17) para decidir se mantém ou começa a reduzir a taxa. O mercado projeta que a Selic encerre 2026 em 13,5%, ou seja, uma queda lenta e gradual ao longo do ano.
Juro alto tem dois lados. Ele ajuda a segurar a inflação ao encarecer o crédito e esfriar o consumo, mas também pesa no bolso de quem precisa de financiamento — da família que quer comprar a casa própria à empresa que quer investir. Por isso cada decisão do Copom é acompanhada de perto por todos os setores produtivos.
No Paraná, o efeito é direto. O estado é uma potência do agronegócio e das cooperativas, setores que dependem de crédito para plantar, armazenar e exportar. Com os juros nas alturas e o preço das commodities pressionado, o produtor paranaense sente o aperto no custo do financiamento — e torce para que a Selic comece, enfim, a ceder. O câmbio também conta: um dólar mais firme tende a melhorar a receita de quem exporta soja e milho a partir dos portos do Sul.
Com informações de Agência Brasil — 8 de junho de 2026.