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Coluna de Opinião

Mercosul emperra na divisão da cota de carne para a Europa

Ministros fracassam em acordo e voltam a negociar em 60 dias; Paraguai é o principal obstáculo

Rafael Antunes ·2 min
Mercosul emperra na divisão da cota de carne para a Europa
Foto: Carlos Ebert/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Os países do Mercosul não conseguiram chegar a um consenso sobre como dividir entre si a cota de exportação de carne para a União Europeia. O impasse, que se arrasta há meses, agora vai para uma nova rodada de negociações, com prazo até dezembro.

O Uruguai, na condição de presidente temporário do bloco, convocou os ministros para uma conversa cara a cara justamente para desbloquear essa querela comercial. A reunião aconteceu, mas saiu sem solução. Agora os países voltarão a se encontrar presencialmente dentro de 45 a 60 dias, com a esperança de chegar a um acordo político antes da cúpula de líderes marcada para 4 de dezembro em Montevidéu.

O nó está em como distribuir entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai o acesso ao mercado europeu para produtos de carne. É um problema típico de bloco comercial: cada membro quer a maior fatia possível, mas o total é limitado pelas restrições impostas pela União Europeia. O Paraguai emerge como o principal entrave às negociações, segundo informações da cobertura.

Para o Paraná, produtor e exportador importante de carnes processadas e insumos para a cadeia pecuária, essa disputa interbloco é relevante. A cota europeia, historicamente dominada por Brasil e Argentina, afeta o acesso de empresas menores e fornecedores paranaenses ao mercado comunitário. Se o acordo não sair, o setor segue operando sob incerteza regulatória, o que encarece crédito e desestimula investimentos em ampliação de capacidade de processamento e resfriamento.

Além disso, está em pauta um contexto maior: a própria negociação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que já soma décadas de tentativas. Restrições em frango, carne bovina e outros produtos estão na mira regulatória europeia, com possibilidades de exclusões que podem se estender até 2028, conforme apontado no material. A divisão das cotas é apenas uma peça desse quebra-cabeça bem maior.

O cenário revela tanto a dificuldade interna do bloco sul-americano em negociar consenso quanto o poder de veto que a União Europeia mantém sobre produtos sensíveis. Os técnicos foram demandados a trabalhar na solução, mas o real poder de decisão segue com os ministros. Se não houver avanço em dezembro, o acordo político que os líderes precisam assinar pode ficar em risco, adiando ainda mais a tão esperada abertura do mercado europeu para o agronegócio latino-americano.

Com informações de www.estadao.com.br (fonte no link).

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