Michelle Bachelet desiste da disputa pela ONU após rejeição no Conselho de Segurança
Ex-presidente do Chile teve 1 "encorajamento" e 11 "desencorajamentos" na terceira rodada de consultas informais; com a saída, a costa-riquenha Rebeca Grynspan desponta como favorita à Secretaria-Geral
A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou no sábado (19), em vídeo publicado nas redes sociais, que retirou sua candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. "Hoje anuncio que decidi não seguir com a minha candidatura a secretária-geral das Nações Unidas", disse.
A desistência veio depois da terceira rodada de consultas informais com os membros do Conselho de Segurança, realizada na sexta-feira (18), em que Bachelet recebeu apenas uma manifestação de “encorajamento”, 11 de “desencorajamento” e três “sem opinião” — resultado que a deixou entre as últimas colocadas de um campo de oito candidatos. Ao anunciar a saída, ela afirmou ter ajudado a colocar na agenda global a convicção de que a próxima pessoa a ocupar o posto deve ser uma mulher latino-americana.
Com a retirada, a costa-riquenha Rebeca Grynspan, hoje à frente da agência da ONU para comércio e desenvolvimento, passa a ser apontada como favorita.
O revés tem leitura direta para o Brasil. Bachelet era a aposta preferida do governo Lula para a vaga, e o Itamaraty trabalhou o nome dela em foros multilaterais. Ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, ela acumulou desgaste no cargo, sobretudo pelo tratamento dado ao relatório sobre violações na região chinesa de Xinjiang, divulgado apenas nos minutos finais de seu mandato. O episódio mostra que peso ideológico e apoio de governos amigos não substituem capital diplomático no Conselho de Segurança — onde os cinco membros permanentes têm poder de veto sobre a escolha.
Fonte: Poder360, com apuração de Gazeta do Povo, Renascença, O Tempo e Correio Braziliense.