Moody's eleva nota da Argentina e coloca as três maiores agências alinhadas pela primeira vez em uma década
É o terceiro aumento de classificação em menos de três meses; agência cita queda do risco de calote e acúmulo de mais de US$ 11 bilhões em reservas no primeiro semestre
A Moody's elevou nesta terça-feira (21) a nota de crédito soberano da Argentina, que passou a equivaler ao B- atribuído por S&P e Fitch, com perspectiva positiva. É o terceiro aumento de classificação recebido pelo país em menos de três meses e coloca as três maiores agências de risco no mesmo patamar pela primeira vez em mais de uma década, segundo o vice-ministro da Economia, José Luis Daza.
Na justificativa, a agência afirmou que o risco de calote argentino "diminuiu significativamente", porque a estabilização macroeconômica superou a fase inicial de ajuste e resultou em melhora mais duradoura dos fundamentos de crédito. Entre os fatores citados estão o acúmulo de mais de US$ 11 bilhões em reservas pelo Banco Central no primeiro semestre de 2026, sem pressão cambial relevante, e o avanço estrutural na geração de divisas. As projeções de crescimento apontam para cerca de 3,4% em 2026 e 3,5% em 2027.
O anúncio foi comemorado pelo governo de Javier Milei, que apresenta a sequência de elevações como validação do programa de ajuste fiscal e desregulamentação iniciado em dezembro de 2023. O risco-país argentino, que rondava 400 pontos na semana anterior, segue em patamar bem inferior ao registrado no início da gestão. Para o Brasil, o desempenho do vizinho e sócio no Mercosul tem efeito direto: a Argentina é um dos principais destinos das exportações da indústria brasileira.
Fonte: Gazeta do Povo.