Paraná · 12 de junho de 2026
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Coluna de Opinião

Os Dezenove Oásis de um Paraná que Se Buscava

Crônica sobre o território fragmentado do século XVIII paranaense

Cora Sampaio ·2 min

Havia sessenta mil almas espalhadas por um deserto. Dezenove pequenos oásis, distantes demais uns dos outros, intransitáveis. Era o Paraná da metade do século XVIII: conectado apenas por caminhos históricos que não eram, afinal, caminhos econômicos.

Imagine a geografia como um coração que não bate. O Paraná daquela época tinha população, tinha gente, tinha vida — sessenta mil habitantes — mas não tinha o que une os vivos: caminho. Curitiba e Paranaguá brilhavam como duas capitais de um império que não se comunicava. As sete vilas (Guaratuba, Antonina, Morretes, São José dos Pinhais, Lapa, Castro, Guarapuava) pulsavam longe demais, separadas por distâncias que pareciam mares de terra. Seis freguesias ainda mais afastadas, como sentinelas esquecidas da civilização.

Dezenove lugares. Dezenove ilhas. Não havia rede de transportes, aquele tecido invisível que faz um estado ser um estado de fato, não apenas de direito. Os "caminhos históricos" — aqueles que traçaram os primeiros passos — não serviam ao comércio. O território, povoado, permanecia deserto aos olhos de quem sonhava em conectá-lo. Era uma solidão coletiva, um isolamento em multidão. Sessenta mil pessoas vivendo a mesma ilusão: a de que faziam parte de um todo.

Talvez seja essa a verdade mais antiga do Paraná: antes de ser estado, precisou ser sonho de ligação. Os povos originários — tupi-guaranis, caingangues, xoclengues — conheciam seus caminhos. Depois, quando vieram as expedições do século XVI, o territorio ganhou nomes, ganhou donos, ganhou histórias. Mas levaria séculos até ganhar aquilo que realmente o tornaria um: a possibilidade de seus filhos irem de um lado ao outro sem desaparecer na travessia.

Com informações de pt.wikipedia.org (https://pt.wikipedia.org/wiki/História_do_Paraná).

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