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Coluna de Opinião

Perdendo para Ganhar

Coluna A Palavra da Cruz · Filipenses 3:7-14

Pastor Edilson Santos ·10 min
Perdendo para Ganhar
Foto: Leon Brooks / Wikimedia Commons (domínio público)

“A verdadeira alegria não depende das circunstâncias, mas de um relacionamento com Cristo.” Nesta edição da coluna A Palavra da Cruz, o Pastor Edilson Santos medita em Filipenses 3:7-14.

Filipenses 3:7-14 – “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”

Introdução

O texto é um dos mais profundos da vida espiritual cristã. Nele, Paulo de Tarso descreve sua transformação, suas prioridades e sua caminhada rumo ao propósito eterno.

Seu contexto é essencial para entender sua mensagem de alegria, perseverança e vida em Cristo. Trata-se de uma carta profundamente pessoal e pastoral, escrita aos irmãos da igreja de Filipos, igreja essa que Paulo fundara quando da sua 2ª viagem missionária.

Alguns fatos importantes da fundação da cidade, conforme Atos 16: a conversão de Lídia e toda a sua família, a libertação de uma jovem adivinhadora, prisão de Paulo e Silas e a conversão do carcereiro com toda a sua casa.

Portanto, a igreja de Filipos nasceu debaixo de perseguição, mas mesmo assim, sob a manifestação da graça de Deus e muitos milagres.

Os habitantes da cidade se orgulhavam de serem cidadãos romanos, fato esse que nos ajuda a entender os motivos de Paulo falar da cidadania dos céus (Filipenses 3:20).

A data da carta se dá por volta de 60-62, enquanto o apóstolo Paulo estava preso em Roma e o que impressiona é que, mesmo na prisão, o tema principal da carta é “alegria”. Filipenses, sem dúvida nenhuma é uma das cartas mais calorosas de Paulo.

Propósito da escrita:

  • a) Agradecimento pela ajuda financeira.
  • b) Encorajamento em meio às dificuldades.
  • c) Exortação à unidade, pois havia pequenos conflitos.
  • d) Fortalecimento na fé contra os falsos ensinos.

Síntese: “A verdadeira alegria não depende das circunstâncias, mas de um relacionamento com Cristo.”

No texto base da mensagem, Filipenses 3:7-14, Paulo nos apresenta uma mudança radical de valores. Aquilo que antes era considerado ganho — status, religião, mérito — agora é visto como perda diante da grandeza de conhecer a Cristo.

O apóstolo não está falando de uma fé superficial, mas de um relacionamento profundo, onde seu maior desejo é: conhecer a Cristo verdadeiramente, experimentar diariamente o poder da ressurreição e participar até mesmo dos sofrimentos.

Isso nos mostra que seguir a Cristo não é apenas receber bênçãos, frequentar uma igreja, participar de estudos bíblicos, orar e ler a Bíblia, mas viver de acordo com a poderosa transformação proporcionada por meio da cruz de Jesus. É ser achado nele, mergulhado nele, vivendo nele.

Renúncia do passado

Filipenses 3:7-8 – “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.”

Paulo está se referindo às suas conquistas religiosas e status como judeu praticante da lei (Filipenses 3:4-6). Tudo isso passa a ser considerado “perda” diante da sublimidade que é Cristo.

Importante destacar que Paulo não está desprezando o conhecimento, mas redefinindo valores, uma vez que “Cristo vale mais que qualquer conquista humana”.

Comparações:

Mateus 13:44 – “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.”

Lucas 14:33 – “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.”

Conhecer a Cristo profundamente

Filipenses 3:9-11 – “e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.”

Ganhar a Cristo e ser achado nele. Que maravilha isso, pois, por causa de Cristo podemos perder todas as coisas deste mundo terreno, mas mesmo assim, é possível sermos achados nele. Não se trata, portanto, de uma experiência religiosa ou mítica, o foco aqui é relacionamento íntimo com Jesus. Se trata da identificação do cristão com a morte e a ressurreição do Senhor.

Paulo destaca cinco aspectos dessa intimidade:

  • a) Ser achado nEle. O segredo da fé está onde o cristão se encontra. Não é simplesmente estar frequentando uma igreja, mas ser achado no Senhor Jesus, totalmente imerso nEle, fazendo a vontade dEle. Ou estamos em Cristo, ou estamos na prática do velho Adão.
  • b) Justificação pela fé. Paulo rejeita a salvação por obras da lei, uma vez que a justificação vem de Deus, por meio da fé.
  • c) Conhecer a Cristo. Não se trata de conhecimento do esforço humano (o Logos), mas o conhecer que abre o entendimento do escolhido de Deus (o Rhema).
  • d) O poder da sua ressurreição. A nova vida é de ressurreição. Podemos e devemos confessar que, em Cristo, morremos para o pecado, mas a novidade deve ser a vida ressuscitada. Se trata aqui do “não mais eu, mas Cristo vive em mim” de Gálatas 2:20.
  • e) A participação dos seus sofrimentos. O ponto de partida se dá com a morte do velho homem adâmico. E, após isso, pelo poder de Deus, todo aquele que crê que em Jesus morreu, também ressuscita para uma nova vida. E por que devemos participar do seu sofrimento? É a negação da velha vida, é o deixar de lado, é perder para ganhar. Seguir a Cristo inclui tanto a vitória contra o poder do pecado quanto o sofrer por amor ao Senhor Jesus.

Comparações:

II Coríntios 5:17 – “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”

Romanos 3:28 – “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.”

João 17:3 – “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

Romanos 6:5-6 – “Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos.”

II Coríntios 4:10 – “Trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos.”

Processo de crescimento contínuo e foco

Filipenses 3:12-14 – “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”

Mesmo sendo apóstolo, Paulo reconhece sua limitação diante do grande poder de Deus. Ele não bate no peito e vomita arrogância, mas é humilde para dizer que ainda não é perfeito, uma vez estar em processo de mudança constante.

A vida cristã é assim mesmo. Deus nos chama e, diariamente vai nos aperfeiçoando por meio da vida de Cristo em nós. Não somos perfeitos em nós mesmos, mas vamos sendo transformados de graça em graça, de glória em glória, até atingirmos o objetivo proposto por Deus em sua Palavra, a estatura de varão perfeito.

Precisamos entender que a vida cristã é uma caminhada progressiva e não um ponto de chegada imediato.

Efésios 4:13-14 – “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.”

Mas como é possível atingirmos essa maturidade em Cristo? Paulo apresenta três respostas para essa pergunta:

  • a) Esquecendo-me das coisas que para trás ficam: o regenerado não pode ficar preso à velha vida. Ele morreu para os rudimentos deste mundo.
  • b) Avançando para as que diante de mim estão: a vida cristã se caracteriza por novas ações de um novo coração. Agora, é preciso buscar e pensar nas coisas que são do alto.
  • c) Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação: mantendo os olhos fixos em Jesus, que é o autor e consumador da fé.

Comparações:

Colossenses 3:1-3 – “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.”

Hebreus 12:1-2 – “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.”

Isso também ensina a não viver preso ao passado (erros ou conquistas), uma vez que o alvo é a vida plena em Cristo e o prêmio é a eternidade com Deus.

Conclusão

A vida cristã tem direção, propósito e destino. Fomos salvos através do novo nascimento e agora, a caminhada em Cristo nos garante um destino eterno.

Diante de tudo isso, como você resumiria a sua vida, hoje?

  • Cristo é, de fato, o seu foco?
  • Você está perdendo sua vida para ganhar a eternidade?
  • O que tem ocupado o lugar de Cristo na minha vida?
  • Estou crescendo espiritualmente ou acomodado?
  • Vivo preso ao passado ou avançando para o propósito de Deus?

Permaneça abençoado e abençoando.

Pastor Edilson Santos
Curitiba — Coluna “A Palavra da Cruz”

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