Petróleo mais barato, inflação menor: como acordo no Oriente Médio pode aliviar o bolso do brasileiro
Governo Lula vê possibilidade de queda nos preços de combustível e contenção da inflação se negociação EUA-Irã prosperar
Um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio acendeu a esperança no governo brasileiro de que a inflação ceda nos próximos meses. A aposta é simples: menos conflito na região, menos pressão nos preços do petróleo, menos pressão na inflação.
A guerra no Oriente Médio explodiu os preços internacionais do petróleo, e o Brasil sente isso na veia. Quando o barril fica mais caro lá fora, combustível, energia e uma porção de produtos ficam mais caros aqui. A equipe econômica de Lula atribui boa parte do aumento nas projeções de inflação exatamente a esse impacto. Antes do conflito, o mercado esperava inflação abaixo de 4% para 2026 e 2027. Agora, a projeção para este ano saltou para 5,30% — acima do teto de tolerância da meta, que é 4,50%.
Se o acordo EUA-Irã se concretizar, o raciocínio é que a normalização dos preços de petróleo vai conter a pressão inflacionária. Menos petróleo caro significa menos gasolina cara no posto, menos custo de transporte, menos pressão nos preços de forma geral. É uma reação em cadeia que afeta direto a conta do consumidor médio e também influencia a decisão do Banco Central sobre juros — inflação mais baixa costuma significar pressão menor por aumentos de taxa.
Para o Paraná, essa dinâmica tem peso real. O estado é grande consumidor de energia e combustível na produção agrícola e agroindustrial. Fertilizantes — insumo crítico para a safra paranaense — também sofrem pressão quando petróleo e energia sobem. Um cenário de preços de energia mais estáveis beneficia toda a cadeia produtiva, desde a mecanização do campo até o transporte da soja e do milho para exportação.
Claro, há cautela aqui. Acordo internacional não é garantido, e mesmo que aconteça, os preços não descem da noite para o dia. Além disso, inflação tem múltiplas causas — câmbio, demanda interna, políticas monetárias. Mas a equipe econômica brasileira está apostando que, se essa negociação avançar, será um alívio genuíno tanto para as contas públicas quanto para o orçamento das famílias e das empresas.
Com informações de oglobo.globo.com.