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Coluna de Opinião

Quando a loucura de Orlando encontra o leitor moderno

A Editora da Unicamp traz edições críticas que reabrem portas para o Renascimento italiano

Cora Sampaio ·2 min
Quando a loucura de Orlando encontra o leitor moderno
Foto: blogeditoradaunicamp.com

Há cinco séculos, Ludovico Ariosto inventou um cavaleiro que enlouquecia de amor e saía pelo mundo em disparates. Agora, edições cuidadosas devolvem Orlando Furioso ao português com a seriedade que merece.

Existe algo de peculiar em reabrir um livro que já foi aberto mil vezes. Orlando Furioso — Tomo I e II, na edição da Unicamp com tradução de Pedro Garcez Ghirardi, traz essa estranha sensação de reencontro. A obra, publicada por Ludovico Ariosto em 1516 e fechada em sua forma definitiva em 1532, mistura cavalaria, paixão não correspondida, fantasia e humor como poucos textos conseguem fazer. Não é apenas um épico; é um épico que ri de si mesmo enquanto avança nos seus 38.576 versos distribuídos em 46 cantos.

O que torna essa edição singular é o cuidado arqueológico com que foi construída. Ghirardi, professor titular de língua e literatura italiana da USP, não apenas traduziu — sua versão recebeu o Jabuti em 2003 — mas também assina introdução e notas que funcionam como chaves para quem quer entender por que Cervantes, Voltaire, Bandeira e Borges beberam desta fonte. Além disso, o segundo tomo conta com prefácio de João Angelo Oliva Neto, especialista em Letras Clássicas. São camadas de leitura que transformam o texto em diálogo real entre séculos.

Há nas páginas de Orlando uma verdade que não envelhece: a de que a loucura, quando bem narrada, diz mais sobre o mundo do que a razão conseguiria. E isso, ressalte-se, é coisa de quinhentos anos atrás.

Com informações de blogeditoradaunicamp.com (https://blogeditoradaunicamp.com/2026/05/15/classicos-comentados-obras-fundamentais-da-literatura-em-edicoes-criticas-cuidadosas).

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