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Coluna de Opinião

Quando a sala de aula vai até o leito do hospital

No Paraná, crianças em tratamento de câncer e outras doenças não perdem o ano escolar. Conheça o programa que leva educação para onde o aluno está

Marina Tavares ·2 min
Quando a sala de aula vai até o leito do hospital
Foto: casacivil.pr.gov.br

Eliel tinha 10 anos quando descobriu a leucemia. Mas não deixou de aprender. Nem quando estava em Curitiba em tratamento intensivo, nem agora que segue a terapia em Ponta Grossa. Graças ao Sareh — o serviço estadual de educação hospitalar — ele continua na escola, mesmo quando a escola precisa ir at

O professor Rudimar entra no quarto com material didático embaixo do braço. Não é a sala de aula comum, mas ali acontece aula de verdade: troca de conhecimento, dúvida esclarecida, aprendizado que não para porque o corpo está doente. Eliel, diagnosticado com leucemia linfoide aguda semanas depois de fazer 10 anos, é acompanhado pelo Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar (Sareh) desde o primeiro dia de internação.

Coordenado pela Secretaria de Estado da Educação, o programa é mais do que dar aula entre os tubos de soro. Funciona assim: quando uma criança ou adolescente começa tratamento prolongado — seja em hospital ou em casa, durante quimioterapia — o Estado firma parceria com a instituição de saúde e mantém o vínculo do aluno com a educação. Pedagogo e professores de diferentes áreas vão aonde o estudante está. Caso tenha melhora e possa voltar à escola de origem, continua acompanhado pelas duas equipes: a da escola local e a do Sareh. Se precisar voltar para internação, os professores do serviço retomam.

Os números dizem algo importante: em 2024, o Sareh atendeu 10 mil alunos em tratamento de saúde no Paraná. Cada um recebe atendimento personalizado, composto por pedagogo e professores das áreas de Humanas, Exatas e Linguagens. Não é padronizado — leva em conta a série, a matéria, mas também o que aquele menino ou menina consegue fazer naquele dia, naquele momento específico da doença.

Elaine Marques trabalha no Sareh há 17 anos como pedagoga. Ela sabe que não é só sobre matemática ou português. "Os atendimentos são caso a caso", explica. Significa que os professores consideram o aspecto psicológico de quem enfrenta um diagnóstico pesado, a fadiga do tratamento, o medo, a esperança oscilante. Educação, nesse contexto, é também humanidade.

Se seu filho ou filha está em tratamento prolongado de saúde no Paraná, procure a escola de origem ou a instituição de saúde onde está internado. Eles podem solicitar o atendimento do Sareh. Ninguém fica sem aprender por estar doente.

Com informações de www.casacivil.pr.gov.br (fonte no link).

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