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Coluna de Opinião

Rússia negocia com extrema-direita alemã retomada de gás: o tabuleiro geopolítico se mexe

Enviado de Putin busca diálogo com AfD sobre reabertura do Nord Stream, mas negociação depende de acordo de paz na Ucrânia

Rafael Antunes ·3 min
Rússia negocia com extrema-direita alemã retomada de gás: o tabuleiro geopolítico se mexe
Foto: portaltela.com

Moscou está em conversas com o partido alemão AfD para discutir a reabertura dos gasodutos russos Nord Stream, principal fonte de energia que abastecia a Alemanha antes das sanções de 2022. O movimento sinaliza uma estratégia russa de explorar fraturas políticas na Europa enquanto testa a receptivid

O contexto aqui é claro: antes da invasão da Ucrânia em 2022, a Rússia fornecia mais de um terço do petróleo bruto e mais da metade do gás natural da Alemanha. As sanções secaram essa torneira. Agora, com o movimento geoestratégico em ebulição — incluindo negociações entre EUA e Rússia — Moscou está testando caminhos alternativos. Buscar o partido AfD, que venceu eleições estaduais e cuja líder Weidel defendeu publicamente o fim do boicote ao gás russo, é um lance político: encontrar aliados internos na Alemanha que pressionem pela normalização.

O que significa esse movimento? É uma tentativa de contornar o establishment alemão, tradicionalmente mais alinhado com a Otan e com sanções. A reunião proposta — que envolveria também representantes americanos — depende de um acordo de paz prévio entre Rússia e Ucrânia. Possíveis locais seriam Israel, Emirados Árabes Unidos ou Índia, países com mais margem de manobra diplomática. Vale notar que autoridades americanas consultadas pela Reuters negaram ter sido formalmente convidadas, o que sugere que a proposta está ainda em estágio embrionário ou sofre resistência até mesmo de aliados tradicionais russos.

O impacto europeu é imediato: qualquer tentativa real de reativar o Nord Stream enfrentaria resistência feroz, especialmente dos países do Leste Europeu, que dependem das sanções para sua segurança. A Alemanha, economicamente frágil, é o alvo óbvio — energia cara pressiona a indústria. Mas romper com as sanções teria custo político enorme e quebraria a coesão do bloco europeu.

Para o Paraná, a ligação é indireta mas real no médio prazo. O estado é grande exportador de grãos (soja, milho, trigo) e fertilizantes para a Ucrânia e Europa. Uma escalada geopolítica ou um cessar-fogo que normalize relações comerciais Rússia-Europa mudaria radicalmente a dinâmica de fluxos comerciais, preços e investimentos em logística. Além disso, a moeda russa, o rublo, e o dólar — que afeta o câmbio brasileiro — sofrem oscilações conforme essas negociações avançam. Por enquanto, é especulação; mas acompanhar essas conversas é acompanhar os fios que mexem os preços do agro paranaense.

O recado final é que a Rússia está numa ofensiva diplomática silenciosa, testando fraturas políticas ocidentais enquanto explora canais não convencionais. Não é ainda um desfecho, mas é um sinal de que Moscou aposta em mudanças no tabuleiro europeu nos próximos meses.

Com informações de www.portaltela.com.

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