Tarifa de 25% dos EUA atingirá 80% das exportações da indústria do Paraná, diz Fiep
FIEP protocolou defesa na investigação Section 301 do USTR e foi a Washington; sobretaxa de 25% atingiria cerca de US$ 1 bilhão em exportações paranaenses.
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) protocolou defesa formal contra sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e participa de audiência pública em Washington.
Cerca de 80% das exportações da indústria do Paraná para os Estados Unidos serão afetadas caso o governo norte-americano confirme a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, segundo estimativa da Fiep. A audiência pública sobre a sobretaxa teve início em 6 de julho e se estende até o dia seguinte.
A Fiep protocolou, em 1º de julho, defesa formal junto ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação contra o Brasil conduzida com base na Seção 301. A manifestação reúne informações técnicas e econômicas sobre produtos que representam aproximadamente US$ 1 bilhão dos US$ 1,3 bilhão exportados pela indústria paranaense ao mercado norte-americano em 2025.
Segundo o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, o Paraná é sensível à questão da taxação porque 80% da exportação aos EUA será impactada, o que retira a competitividade da indústria paranaense no mercado americano. Mohr está em Washington para representar a Fiep na audiência pública junto do diretor Paulo Roberto Pupo, coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais e superintendente da Abimci.
Entre os produtos cuja exclusão tarifária é defendida pela Fiep estão itens do setor madeireiro, como molduras, compensados, madeira serrada, pisos e portas, além de móveis de madeira, revestimentos cerâmicos, papel, café instantâneo, mel, filés de tilápia, couro bovino, enzimas, resinas, dextrinas e equipamentos ortopédicos.
A Fiep argumenta que os produtos paranaenses não têm relação com as práticas investigadas pelo governo norte-americano e destaca que muitos deles são produzidos a partir de cadeias sustentáveis e rastreáveis. A federação também ressalta que diversos itens exportados pelo Paraná são insumos considerados essenciais para a indústria e para os consumidores dos Estados Unidos, sem fornecedores alternativos capazes de atender à demanda com o mesmo volume, qualidade ou preço.
A Fiep pede que os produtos brasileiros não sejam submetidos às novas tarifas. Caso a medida seja mantida, a federação solicita que os itens produzidos no Paraná incluídos na manifestação sejam incorporados à lista de exceções. A federação também solicita que produtos já abrangidos pela Seção 232, como os do setor metalmecânico, não sejam novamente tributados pela Seção 301, evitando a incidência dupla de tarifas sobre as exportações.
Fonte: ric.com.br.