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Coluna de Opinião

UE busca acordos comerciais para enfrentar tarifas de Trump

Bloco europeu intensifica negociações enquanto enfrenta resistências internas, como no Mercosul

Rafael Antunes ·2 min
UE busca acordos comerciais para enfrentar tarifas de Trump
Foto: dw.com

Diante da postura protecionista dos EUA, a União Europeia aperta o passo para fechar novos acordos comerciais. A estratégia é clara: diversificar parceiros e reduzir dependência do mercado americano. Mas há um problema doméstico que atrapalha.

A União Europeia está em modo ofensivo no tabuleiro comercial global. Enquanto os EUA, sob Trump, adotam políticas tarifárias agressivas contra o bloco europeu, Bruxelas responde tentando amarrar novos acordos com diferentes parceiros. A lógica é simples: se o mercado americano fica mais caro e fechado, abrem-se as portas para outros destinos — Ásia, América Latina, África. Menos dependência dos EUA significa maior poder de negociação.

O grande teste dessa estratégia é o acordo com o Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, foi pessoalmente a Assunção para tentar selar o acordo. Era para ser um marco: a UE fechando os braços com o bloco econômico sul-americano. Mas o acordo travou internamente. Eurodeputados europeus bloquearam a aprovação, preocupados com questões ambientais, agrícolas e de direitos trabalhistas nos países do Mercosul.

Para o Paraná, estado agrícola por excelência, essa dinâmica importa. Um acordo UE-Mercosul destrancado abriria porta para grãos, proteína animal e outros commodities paranaenses chegarem a 450 milhões de europeus com menos barreiras. Hoje, com o acordo parado, a janela segue fechada. O estado que já depende de variações cambiais e dos preços das commodities vê mais uma oportunidade de mercado adiada.

A ironia é que Trump força a UE a buscar novos parceiros, mas a própria Europa se sabota. Enquanto Bruxelas tenta diversificar seus mercados para se proteger das tarifas americanas, resistências internas ao Mercosul (que incluem lobbies agrícolas protacionistas na própria Europa) congelam uma das negociações mais promissoras. É geopolítica econômica com freio de pé.

O cenário fica complexo nos próximos meses. A UE precisa escolher: fechar os olhos para algumas questões internas para viabilizar o Mercosul, ou manter a linha dura e buscar outros caminhos. Enquanto isso, quem vende soja, milho ou carne para a Europa — incluindo agricultores paranaenses — fica na espera.

Com informações de www.dw.com (fonte no link).

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