Festival de cultura popular reúne artistas, artesãos e gastronomia em três dias de programação gratuita
O centro histórico da cidade se prepara para receber, entre os dias 25 e 27 deste mês, a nova edição do Festival de Cultura Popular, evento que reúne artistas, artesãos, mestres de tradição oral e cozinheiros regionais em uma programação inteiramente gratuita. A expectativa dos organizadores é receber mais de 40 mil visitantes ao longo dos três dias.
Em sua nona edição, o festival mantém o foco em valorizar manifestações culturais locais, sem perder o diálogo com expressões nacionais e internacionais. Música, dança, literatura, gastronomia e artes visuais ocuparão palcos, praças, igrejas históricas e casarões cedidos para a ocasião.
Quatro palcos simultâneos
A programação musical é o principal carro-chefe do evento. Ao todo, serão quatro palcos espalhados pelo centro histórico, com mais de 60 atrações confirmadas. Estilos como samba de roda, forró pé-de-serra, MPB, sertanejo de raiz, rap regional, choro e música indígena dividirão a agenda.
Entre os destaques estão grupos formados por artistas da própria cidade, alguns com décadas de carreira e pouca visibilidade fora da região. "Esse festival é uma oportunidade rara para nós, artistas locais. É quando a cidade para para nos ouvir", contou o cantor e compositor Joaquim Belmonte, que apresentará canções inéditas no segundo dia do evento.
A curadoria também reservou espaço para artistas convidados de outros estados, em uma seleção que privilegia a diversidade regional brasileira e inclui apresentações de grupos paraguaios e argentinos, fortalecendo o intercâmbio cultural na fronteira.
Artesanato e economia criativa
A feira de artesanato será montada na Praça Central, reunindo cerca de 90 expositores. Cerâmica, tecelagem, marcenaria, bordado, joias artesanais e produtos com matéria-prima sustentável estarão entre as atrações. Os artesãos vêm de comunidades urbanas e rurais, incluindo grupos quilombolas e indígenas.
"O festival é responsável por boa parte do faturamento anual de muitas famílias artesãs. Aqui, vendemos, mas também trocamos experiências e fazemos contatos para o ano todo", afirmou Dona Cleusa Ribeiro, mestra ceramista que participa do evento desde a primeira edição.
Cozinha de raiz em destaque
A gastronomia ganha espaço próprio com a "Vila do Sabor", área dedicada a cozinheiras e cozinheiros tradicionais. Pratos típicos da região, receitas afro-brasileiras, comidas indígenas e doces caseiros estarão à venda em barracas decoradas com elementos da cultura local.
A organização também promove rodas de conversa com cozinheiras, oficinas de farinha, fabricação de queijos e produção de cachaça artesanal. As atividades têm caráter formativo e buscam fortalecer a transmissão de saberes entre gerações.
"Nossa cozinha é memória viva. Cada prato carrega uma história e um pedaço da identidade do nosso povo", destacou a chef Marília Andrade, curadora do espaço gastronômico.
Literatura, cinema e oficinas
Além das apresentações principais, o festival oferece programação paralela com lançamentos de livros, sessões de cinema ao ar livre, contação de histórias para crianças e oficinas de capoeira, percussão, bordado, ilustração e escrita criativa. As atividades são gratuitas, com inscrições antecipadas pelo site oficial.
Espaços expositivos também receberão mostras de fotografia documental e arte visual produzida por jovens da rede pública de ensino, em parceria com escolas e ONGs locais. A iniciativa busca aproximar adolescentes do circuito cultural e estimular novas vocações artísticas.
Mobilidade e estrutura
Para receber o público, a Prefeitura organizou esquema especial de trânsito, com bloqueios em ruas do entorno e linhas de ônibus reforçadas. Estacionamentos públicos terão funcionamento estendido e haverá pontos de táxi e aplicativos sinalizados.
Banheiros químicos, bebedouros, espaços de descanso e uma equipe ampliada de saúde, segurança e limpeza estarão disponíveis durante toda a programação. Pessoas com deficiência contarão com plataformas elevadas em todos os palcos e equipe de apoio.
"É um esforço coletivo. A cultura precisa ser acessível, segura e acolhedora para todas as pessoas", afirmou a secretária municipal de Cultura, Beatriz Aragão. Segundo ela, o festival deste ano deve injetar cerca de R$ 12 milhões na economia local, considerando hospedagem, alimentação e comércio em geral.
A programação completa está disponível no site oficial da Secretaria de Cultura e nas redes sociais do evento. O festival começa às 16h da próxima sexta-feira e segue até a noite de domingo.