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Coluna de Opinião

A crônica respira fundo

Quando o gênero híbrido deixa a leveza e abraça a sofisticação

Cora Sampaio ·2 min
A crônica respira fundo
Foto: rascunho.com.br

A crônica brasileira nunca foi apenas conversa de botequim. Agora, cronistas como Coutinho trazem ao gênero um rigor que o equipara aos grandes ensaístas norte-americanos.

Por muito tempo, a crônica viveu uma vida dupla: oficial e marginal ao mesmo tempo. Na prensa, ocupava aquele espaço morno entre o jornal sério e a ficção, como se precisasse pedir desculpas por existir. Supostamente leve, supostamente menor, ela era o lugar onde se conversava sem obrigação, onde o tema pesado entrava de chinelo e saía rápido.

Nélson Rodrigues, Otto Lara Resende e Carlos Heitor Cony ajudaram a esculpir essa imagem do gênero — cronistas que pensavam, sim, mas com um pé na porta de saída. A questão é que eles pensavam bem. E agora, quando alguém como Coutinho vem rotulado de cronista aqui no Brasil, mas traz consigo a herança dos ensaístas da The New Yorker, a gente estranha um pouco. Ou melhor: a gente respira.

Porque a crônica não precisa ser leve para ser boa. Pode ser refinada, sofisticada, exigente com a palavra. Pode conversar com a rua sem perder a precisão do pensamento. Coutinho e cronistas desse quilate não estão sendo menos cronistas — estão dizendo que o gênero era maior do que imaginámos, e que a leveza nunca foi sua verdadeira marca. Sua marca é a liberdade. Sempre foi.

Com informações de rascunho.com.br (https://rascunho.com.br/ensaios-e-resenhas/a-reinvencao-da-cronica).

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