Após acordo com os EUA, Irã executa mais dois manifestantes
O Irã executou mais dois manifestantes, Javad Zamani e Abolfazl Saedi, dois dias depois de o presidente americano Donald Trump anunciar um acordo para encerrar o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. As execuções reacendem a preocupação com a repressão no país.
Os dois haviam sido condenados à morte pela 1ª Vara do Tribunal Revolucionário de Shahroud, sob acusações que incluíam "destruição e incêndio criminoso" e "moharebeh" — expressão que, na lei iraniana, designa "guerra contra Deus" e é usada para enquadrar opositores do regime. Eles participaram da onda de protestos que tomou o país entre dezembro e janeiro.

As execuções vieram logo após o anúncio, por Trump, de um acordo para pôr fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro, cuja assinatura formal estaria prevista para 19 de junho, na Suíça. O contraste entre o gesto diplomático e a continuidade das execuções foi imediatamente apontado por organizações de direitos humanos.
Para a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, e seu diretor, Mahmood Amiry-Moghaddam, o regime aproveita o foco internacional nas negociações para acelerar a repressão interna. Segundo a Anistia Internacional, o Irã realizou 2.159 execuções em 2025 — mais que o dobro das 972 registradas em 2024.
Com informações da Gazeta do Povo — 16 de junho de 2026.