Ato pelo fim da escala 6x1 termina em confronto na Paulista às vésperas da votação na CCJ do Senado
Convocada por centrais sindicais em São Paulo e em outras dez capitais, a manifestação de domingo teve bate-boca, agressões e a destruição de um boneco de Lula vestido de presidiário; a PEC vai à Comissão de Constituição e Justiça na quarta-feira (2)
A manifestação pelo fim da escala 6x1 reuniu manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã de domingo (30) e terminou em confusão entre grupos de direita e de esquerda, com a Polícia Militar tendo de separar brigas — tudo a três dias de a Comissão de Constituição e Justiça do Senado analisar a PEC que acaba com a jornada de seis dias de trabalho para um de descanso.
Segundo a Gazeta do Povo, o ato na altura do Masp foi convocado pelas centrais sindicais — entre elas CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e NCST — e pelo movimento Vida Além do Trabalho, com atos paralelos anunciados para outras dez capitais, incluindo Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba, Fortaleza, Natal e Aracaju. A confusão começou quando um adolescente de 17 anos que fazia entrevistas se desentendeu com um homem de 70 anos; em seguida, ativistas de direita destruíram um Pixuleco, o boneco inflável que retrata o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário.
Candidatos a deputado estadual que estavam no local relataram hostilidade: Carlo Cauti (Novo) afirmou que “panfletar não deveria ser um ato de coragem, mas hoje foi”, enquanto Jr. Freitas (PSOL) disse ter enfrentado “fascistas”. A organização não divulgou número de participantes aferido por fonte independente — a matéria não trabalha com estimativa de público.
A mobilização chega no momento em que a proposta ganha velocidade no Congresso por acordo político. O relator da PEC no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), apresentou na quinta-feira (27) parecer favorável ao texto aprovado pela Câmara e rejeitou as doze emendas apresentadas por senadores; a análise na CCJ está marcada para quarta-feira (2), dentro do esforço concentrado que antecede o período eleitoral.
O calendário aperta porque as votações precisam sair antes de o Congresso esvaziar para a campanha, e a proposta virou vitrine dos dois lados: quem defende trata o tema como pauta de qualidade de vida do trabalhador; quem critica argumenta que a redução da jornada sem contrapartida encarece a folha e atinge principalmente comércio, serviços e pequenos empregadores, que operam com margem estreita e dificuldade de repor mão de obra.
Fonte: Gazeta do Povo.