Só 7 dos 13 presidenciáveis aceitaram a escolta da PF, operação que deve custar R$ 95 milhões
A Polícia Federal montou uma estrutura nacional para proteger até dez candidaturas, com central em Brasília, veículos blindados e equipes antibomba; Flávio Bolsonaro dispensou e mantém a Polícia Legislativa do Senado
A Polícia Federal estruturou para as eleições de 2026 uma operação nacional de segurança de candidatos à Presidência da República dimensionada para atender até dez candidaturas ao mesmo tempo, a um custo estimado pelo próprio órgão em cerca de R$ 95 milhões — mas, segundo levantamento publicado no domingo (30) pelo Poder360, apenas 7 dos 13 candidatos registrados aceitaram a proteção.
Pelo que a PF informou em comunicado oficial, a operação foi montada com equipes especializadas em todos os estados, acompanhamento permanente das agendas de campanha e uma central de coordenação em Brasília, com uso de veículos blindados, equipes antibomba e recursos antidrone. Mais de 600 profissionais foram capacitados entre 2025 e 2026 para a missão, dos quais até 458 servidores serão efetivamente recrutados. Antes de definir o desenho da escolta, o órgão fez uma avaliação de risco que classificou os pré-candidatos em quatro níveis de ameaça — muito alto, alto, moderado e baixo.
O esquema começou a funcionar ainda em julho, quando a PF divulgou o planejamento.
De acordo com o levantamento do Poder360, recusaram a escolta federal o senador Flávio Bolsonaro (PL) — que segue com a segurança da Polícia Legislativa do Senado —, Rui Costa Pimenta (PCO) e Hertz Dias (PSTU). Samara Martins (UP) e Pablo Marçal (PRTB) não informaram a posição, e Wilson Grassi (Democrata) disse não ter recebido contato da corporação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com proteção conjunta da PF e do Gabinete de Segurança Institucional, por ser chefe de Estado.
A conta de R$ 95 milhões recai sobre o contribuinte e ganha peso extra num pleito em que a segurança de candidatos deixou de ser hipótese remota: a memória do atentado de 2018 e a escalada de ameaças em atos públicos pesaram no dimensionamento do dispositivo.