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Coluna de Opinião

Brasil em 2026: três cúpulas globais, credibilidade em risco e eleições à vista

Enquanto Lula aproveita G20, BRICS e COP30 para liderar o Sul Global, contradições climáticas e desafios logísticos ameaçam o legado político

Rafael Antunes ·2 min
Brasil em 2026: três cúpulas globais, credibilidade em risco e eleições à vista
Foto: freiheit.org

O Brasil será palco de três grandes cúpulas internacionais antes de 2026 – uma oportunidade única de reposicionar o país no cenário mundial. Mas entre promessas climáticas e investimentos em petróleo, além de críticas à organização da COP30 em Belém, Lula enfrenta um dilema que pode impactar sua pop

Desde novembro de 2024, o Brasil ocupa a presidência de organismos globais estratégicos. Realizou a cúpula do G20 no Rio de Janeiro, sediará o BRICS em julho e acolherá a COP30 em Belém em novembro. Essa tríade oferece ao governo Lula uma plataforma rara para consolidar o Brasil como porta-voz do Sul Global e da América Latina – determinando agendas que se complementam sistematicamente nas três conferências.

O desafio maior está na contradição interna. Enquanto o Brasil se apresenta como pioneiro em transição para energias renováveis e clima, o governo avança em projetos de exploração de petróleo e gás. A incoerência enfraquece a credibilidade brasileira justamente quando mais importa: numa conferência climática de alcance global. Países ocidentais já cobram essa conta.

A COP30 em Belém carrega ainda dificuldades logísticas imensas. Hospedar milhares de delegados no coração da Amazônia, longe dos grandes centros urbanos, impõe custos elevados e complexidade operacional que preocupam participantes internacionais. Fracassar numa conferência dessa magnitude prejudicaria não apenas a imagem ambiental do Brasil, mas também o capital político de Lula.

Num cenário de eleições presidenciais em 2026, essas cúpulas representam oportunidades e armadilhas. Lula já demonstrou habilidade política ao usar a tarifa de 50% imposta por Trump em julho como evidência de ingerência estrangeira – seu índice de popularidade disparou acima de 40% rapidamente. Mas manter esse momentum enquanto equilibra promessas climáticas, interesses econômicos domésticos e expectativas globais exigirá maestria.

A qualidade das instituições brasileiras será testada. Como o país gerencia essa tríade de cúpulas pode determinar não apenas sua relevância internacional nos próximos anos, mas também as condições políticas em que chegará às urnas em 2026.

Com informações de www.freiheit.org (fonte no link).

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