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Coluna de Opinião

Brasil navega tempestade diplomática: tarifas, carne e tensão com Trump

Lula participa do G7 enquanto enfrenta barreiras comerciais da UE e incerteza sobre negociações com os EUA

Rafael Antunes ·2 min
Brasil navega tempestade diplomática: tarifas, carne e tensão com Trump
Foto: sbtnews.sbt.com.br

O Brasil está em meio a uma sequência de reveses comerciais e diplomáticos que expõe as fragilidades da inserção internacional do país. Enquanto o presidente Lula tenta abrir diálogos no G7, o país enfrenta bloqueios da União Europeia à carne brasileira, confronto com os EUA na OMC e incerteza sobre

A participação de Lula na cúpula do G7 deveria ser um momento de destaque para o Brasil nas negociações globais. Mas o cenário é mais complexo. O presidente confirmou presença na reunião na França com esperança de encontrar Trump antes de uma decisão final sobre tarifas, sinalizando urgência em evitar medidas protecionistas que afetariam exportadores brasileiros — particularmente o agronegócio, setor vital para a economia do país.

O contexto é preocupante no eixo comercial. A União Europeia defendeu suas normas depois de bloquear importações de carne brasileira, deixando claro que questões ambientais e de rastreabilidade estarão cada vez mais na pauta. Simultaneamente, o Brasil enfrentou os EUA na conferência da OMC ao se opor a propostas sobre comércio eletrônico, provocando retaliação americana que suspendeu outros entendimentos. Essas fricções mostram um padrão: o Brasil está isolado em temas críticos.

A dinâmica com Trump é a mais delicada. Durante o G7, Lula e o americano não interagiram na foto oficial nem tiveram reuniões bilaterais — sinal de resfriamento. O presidente aproveitou para mandar recado sobre facções criminosas (PCC e CV) designadas como terroristas pelo governo Trump, tentando demonstrar alinhamento em segurança, mas o silêncio comercial persiste. A indefinição sobre tarifas deixa empresas exportadoras brasileiras em compasso de espera.

No Paraná, estado que concentra indústria, agronegócio e logística, os impactos podem ser diretos. Bloqueios à carne afetam produtores e frigoríficos; tarifas americanas prejudicam as cadeias de valor integradas ao mercado dos EUA; incerteza cambial complica planejamento de investimentos. O estado é exportador relevante e vulnerável a oscilações nesse cenário geopolítico tenso.

Lula aproveitou o G7 para iniciar negociações com o Japão sobre um acordo Mercosul, buscando diversificar parcerias enquanto o eixo tradicional (EUA-Europa) se torna mais hostil. É movimento defensivo legítimo, mas revela a pressão real que o Brasil enfrenta no tabuleiro comercial global. Sem resolução rápida dessa tensão com Washington e Bruxelas, as consequências para exportadores brasileiros podem ser severas.

Com informações de sbtnews.sbt.com.br (fonte no link).

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