Lula avança em acordo para votar fim da escala 6×1 entre turnos eleitorais
Governo recebe sinalização positiva do Senado para pautar proposta após primeiro turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu avanço nas negociações para levar ao plenário do Senado a proposta que extingue a escala de trabalho 6×1. A cúpula da Casa sinalizou positivamente que a matéria será pautada, com votação prevista entre o primeiro e segundo turnos das eleições.
A jornada dessa proposta pelos corredores do Congresso diz bastante sobre como funciona a política brasileira quando o assunto é trabalhista. Durante semanas, o governo negociou nos bastidores com lideranças do Senado. Agora, segundo apuração da CNN Brasil, integrantes da cúpula da Casa — especialmente o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) — sinalizaram disposição em pautar o tema. Não é um compromisso blindado, mas é um avanço real que muda o jogo.
O timing é estratégico: a votação ocorreria entre o primeiro e o segundo turnos das eleições, um período em que tradicionalmente há menor pressão de campanha e mais espaço para pautas institucionais avançarem no Congresso. Há ainda possibilidade de uma sessão já na semana seguinte à data desta reportagem, embora nenhuma data tenha sido oficialmente marcada.
A escala 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso — é um dos pontos mais sensíveis da legislação trabalhista brasileira. Movimentos sindicais e parlamentares progressistas há anos pressionam pelo fim dessa jornada, argumentando que afeta a saúde mental e física de milhões de trabalhadores. O setor empresarial, porém, resiste, temendo impactos nos custos operacionais.
A aprovação dessa proposta impactaria diretamente setores intensivos em mão de obra — comércio, serviços, alimentação e logística. No Paraná, estado com presença forte em varejo, hospitais, restaurantes e transportes, a mudança afetaria centenas de milhares de profissionais. Mas o estado também teria ganhos em qualidade de vida e potencial de maior consumo com melhor distribuição de tempo livre.
O fato de haver sinalização positiva da cúpula do Senado não garante vitória final. Pressões de diferentes setores ainda podem frear a votação ou modificar substancialmente o texto. Mas pela primeira vez em muito tempo, a proposta saiu do limbo do debate para entrar na agenda efetiva da Casa. Isso, por si só, é um marco no tema.
Com informações de www.brasil247.com (fonte no link).