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Coluna de Opinião

Brics na Corda Bamba: Índia tenta unir bloco enquanto Irã e Emirados se esfaçam

Cúpula em Nova Delhi enfrenta tensão geopolítica, mas agenda segue em temas econômicos e climáticos

Rafael Antunes ·3 min
Brics na Corda Bamba: Índia tenta unir bloco enquanto Irã e Emirados se esfaçam
Foto: valor.globo.com

Líderes dos países do Brics convergem para a capital indiana em cúpula de dois dias, mas o racha entre Irã e Emirados Árabes Unidos coloca em risco a unidade do bloco na hora de emitir declaração conjunta.

A cúpula do Brics começou neste sábado em Nova Delhi com um problema de difícil solução: como fazer cinco países com interesses divergentes falarem com uma só voz quando dois deles estão em atrito direto? Irã e Emirados Árabes Unidos trazem para a mesa uma tensão que vem da crise no Golfo Pérsico, e a Índia, como anfitriã, precisará fazer acrobacias diplomáticas para manter o bloco coeso — ou pelo menos aparentar coesão no comunicado final.

O desafio não é novo no Brics, mas é particularmente delicado agora. O bloco — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além dos membros mais recentes Irã e EAU — deveria funcionar como contrapeso às potências ocidentais. Mas quando seus próprios membros disputam influência e recursos numa região estratégica, a narrativa de unidade fica frágil. A diplomacia indiana tentará isolar o conflito bilateral e manter a agenda do grupo focada em temas de interesse comum.

Por isso a organização colocou na mesa assuntos que transcendem as rusgas regionais: tecnologia, governança global, financiamento climático e desenvolvimento sustentável. São temas que afetam todos os membros e permitem que se negocie uma declaração sem parecer que alguém capitulou. É o velho truque diplomático — quando o barco balança, mude de assunto e procure porto seguro.

Para o Brasil, o Brics representa uma via alternativa de influência global e comercial. Qualquer enfraquecimento do bloco por brigas internas complica a navegação de Brasília em um mundo cada vez mais polarizado. O país não está diretamente envolvido na crise do Golfo, mas tem interesse em que o Brics mantenha credibilidade como fórum de negociação — especialmente agora, quando temas como câmbio, crédito multilateral e fluxos comerciais estão na pauta.

O resultado desta cúpula dirá muito sobre a real capacidade do Brics de funcionar como bloco coerente. Se conseguir emitir uma declaração, mesmo genérica, terá vencido o desafio imediato. Se o racha entre Irã e EAU explodir publicamente e impedir um comunicado conjunto, ficará evidente que o bloco é mais uma plataforma de conveniência que uma aliança estratégica de fato — e isso reverbera nos cálculos de qualquer país que apostou nele como futuro.

Com informações de Valor Econômico, Nikkei Asia (fonte no link).

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