CEO da Anthropic pede freio no avanço da inteligência artificial, Altman e Musk concordam e as ações de chips derretem no mundo todo
Em ensaio publicado no próprio site, Dario Amodei propõe avaliadores externos e ritmo controlado; índice de semicondutores da Filadélfia caiu 6%, Nvidia recuou 3,5% e a bolsa sul-coreana perdeu 3,3%
Um ensaio publicado pelo presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, pedindo que as empresas de inteligência artificial reduzam deliberadamente o ritmo de avanço de seus modelos, e a adesão imediata de Sam Altman, Elon Musk e da Microsoft derrubaram as ações ligadas a IA em três continentes nesta semana.
No texto, intitulado “We Must Pace the Frontier” e publicado em seu site pessoal, Amodei escreve que “nos últimos meses, me convenci de que enfrentar plenamente os riscos exige ainda mais prudência — não apenas investir em prevenção de riscos, mas ritmar o avanço das capacidades para que a prevenção tenha tempo de acompanhar”.
Ele afirma que, em 6 a 12 meses, um enxame de agentes de IA poderia ser capaz de tomar conta da internet com uma botnet persistente, com prejuízo na casa das centenas de bilhões de dólares, e propõe como primeiro passo a figura do avaliador incorporado — auditores de organizações terceiras, como a METR, com acesso para verificar se as empresas cumprem os próprios compromissos de segurança. A Anthropic se comprometeu unilateralmente com a medida. Sam Altman, da OpenAI, concordou publicamente; Musk foi direto: “Dario está certo”. Na segunda-feira, a Microsoft aderiu ao tom de cautela.
A reação do mercado foi imediata e do tamanho da aposta que vinha sendo feita: o índice de semicondutores da Filadélfia caiu 6%, com Nvidia em queda de 3,5%, AMD de 5,6% e Micron de 6,7%; na Ásia, o Kospi sul-coreano fechou em baixa de 3,3% e, em Nova York, a Nasdaq recuou 0,8%. O gasto com IA foi o principal motor de alta das bolsas nos últimos quatro anos, e a ameaça de menos investimento em capacidade computacional atinge toda a cadeia — da construção de data centers às mineradoras de cobre.
O debate coloca de um lado o argumento de segurança e, de outro, o interesse competitivo: frear o passo beneficia quem já está na frente, e nada garante que concorrentes fora do alcance regulatório americano façam o mesmo. Ressalva: o ensaio não traz data visível na página do autor; as repercussões e a reação do mercado são de 12 a 15 de setembro de 2026.