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Coluna de Opinião

China joga xadrez enquanto Trump pressiona o Irã

Pequim recusa sanções e usa conflito como moeda de troca para negociar Taiwan e influência na Ásia

Rafael Antunes ·3 min
China joga xadrez enquanto Trump pressiona o Irã
Foto: infomoney.com.br

A China desafia abertamente as ameaças dos EUA de impor sanções por seu apoio econômico ao Irã. Enquanto isso, Xi Jinping transforma a crise em oportunidade diplomática — e deixa claro que qualquer concessão sobre Teerã tem preço.

O tabuleiro está montado. Trump intensifica a pressão econômica sobre o Irã para forçar um acordo, e Washington ameaça sancionar bancos chineses que sustentem a economia iraniana. Pequim, porém, não pisca. A China é a principal compradora do petróleo iraniano e não demonstra pressa em ajudar os EUA a resolver um conflito que, na visão de Xi Jinping, desvia recursos militares americanos da Ásia — exatamente onde Pequim quer expandir sua influência. É cálculo estratégico puro: quanto mais os americanos se concentram no Oriente Médio, menos estão focados em frear o avanço chinês.

A posição de Pequim não é apenas defensiva. Xi está jogando ofensivo. Autoridades chinesas mantêm conversas intensas com líderes da Jordânia, Kuwait e outros países árabes. A China sediará uma cúpula com nações árabes ainda este ano. Encontros regionais, como a reunião da Organização para Cooperação de Xangai no Quirguistão, criam espaços para diálogo com iranianos. Pequim se posiciona como intermediária capaz — e disposta — a contribuir para solucionar o conflito. É soft power disfarçado de diplomacia.

Washington enfrenta um dilema incômodo. Impor sanções pesadas contra um grande banco chinês pode provocar uma retalição significativa de Pequim. E há sinais de que a administração Trump está sobrecarregada: turbulências no mercado de títulos, desafios políticos domésticos e nova disputa comercial com o Canadá reduzem a margem de manobra. A China percebe essa fragilidade e a explora.

Aqui entra o xadrez de verdade. Pequim tem interesse em preservar a estabilidade global — preços elevados de energia prejudicam sua demanda por exportações. Mas qualquer concessão chinesa significativa sobre o Irã exigirá contrapartida equivalente dos EUA. E qual é a principal linha vermelha de Pequim? Taiwan. O governo chinês exige repetidamente que Washington interrompa as vendas de armas para a ilha. Um pacote americano de US$ 14 bilhões está pendente. É lá que o verdadeiro jogo acontece.

Para o Paraná, o cenário merece atenção. A instabilidade geopolítica entre superpotências impacta preços de energia e fertilizantes — ambos cruciais para a produção agrícola paranaense. Tensões elevadas também afetam o câmbio, alterando a rentabilidade das exportações de grãos. Por enquanto, a diplomacia de Pequim mantém a porta aberta, mas não há garantias. O risco de escalada permanece real.

Com informações de www.infomoney.com.br (fonte no link).

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