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Conferência de Aids no Rio anuncia dois novos casos de remissão do HIV; total chega a 13 no mundo

Os pacientes de Kansas City, nos Estados Unidos, e de Essen, na Alemanha, receberam transplante de células-tronco de doadores com a mutação CCR5-delta 32 para tratar cânceres do sangue; médicos alertam que não é cura em larga escala

Redação Voz Conectada ·3 min
Conferência de Aids no Rio anuncia dois novos casos de remissão do HIV; total chega a 13 no mundo
Partículas do HIV-1 (em amarelo) em micrografia eletrônica colorizada. Foto: NIAID (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

Dois novos casos de remissão sustentada do HIV foram apresentados na 26ª Conferência Internacional sobre Aids (Aids 2026), realizada no Rio de Janeiro — a primeira edição do encontro no Brasil. Com os relatos, chega a 13 o número de pessoas no mundo que seguem sem carga viral detectável após interromper o tratamento com antirretrovirais.

O primeiro caso é o de um homem de 21 anos de Kansas City, nos Estados Unidos, que descobriu ter leucemia mieloide aguda além da infecção pelo HIV. Ele foi submetido a transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas em outubro de 2020. Os médicos interromperam a terapia antirretroviral em fevereiro de 2025 e, 14 meses depois, ele seguia sem vírus detectável. O caso foi apresentado pelo infectologista Wissam El Atrouni, do University of Kansas Medical Center.

O segundo é conhecido como “paciente de Essen”, na Alemanha, que estava infectado por dois tipos diferentes de HIV e também pelo vírus da hepatite B. Nos dois casos, os doadores das células-tronco tinham a mutação CCR5-delta 32, que impede o vírus de entrar nas células humanas — o transplante substitui o sistema imunológico do paciente por um resistente ao HIV.

Especialistas evitam falar em cura. “Esses transplantes são procedimentos de alto risco para cânceres que ameaçam a vida, não curas aplicáveis em larga escala para o HIV. Mas esses casos trazem informações importantes, que ajudam a avançar a pesquisa”, afirmou Beatriz Grinsztejn, presidente da International Aids Society e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio.

O primeiro paciente curado por esse caminho foi Timothy Ray Brown, o “paciente de Berlim”, que ficou mais de uma década em remissão e morreu em 2020 após uma recidiva de leucemia. Adam Castillejo, o “paciente de Londres”, também tornou pública a própria identidade depois de seu caso ser apresentado em congresso.

Fontes: Agência Brasil · Healio · SBT News.

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