EUA criam 162 mil vagas em agosto, quase o triplo do previsto, e afastam a expectativa de corte rápido de juros
Relatório do Departamento do Trabalho aponta desemprego estável em 4,1% e ganho médio por hora 3,1% acima de um ano atrás; economistas ouvidos pela Reuters esperavam 56 mil postos
A economia dos Estados Unidos criou 162 mil postos de trabalho não agrícolas em agosto, segundo o relatório de emprego divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Bureau of Labor Statistics, do Departamento do Trabalho. O número supera com folga a projeção de 56 mil vagas dos economistas ouvidos pela Reuters. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, sem alteração em relação a julho.
O setor privado respondeu por 127 mil das vagas criadas no mês, quase o triplo do que o mercado esperava. O ganho médio por hora trabalhada subiu 0,3% na comparação com julho, em linha com a previsão, e 3,1% ante agosto de 2025, acima da expectativa de 3,0%. O conjunto reverte a desaceleração observada nos meses anteriores e reforça a leitura de que o mercado de trabalho americano segue firme.
Para o investidor brasileiro, o dado tem efeito direto: emprego forte e salário em alta reduzem a pressão sobre o Federal Reserve para cortar juros no curto prazo, o que tende a sustentar o dólar e encarecer o custo do dinheiro nos mercados emergentes. O Ibovespa abriu em queda na sexta-feira, interrompendo a sequência de altas das duas semanas anteriores, enquanto o mercado digeria o relatório. O próximo passo do Fed depende ainda dos números de inflação ao consumidor de agosto, que serão divulgados neste mês.
Fonte: Bureau of Labor Statistics (EUA).