EUA e Irã fecham acordo para encerrar guerra e reabrir o Estreito de Ormuz
Entendimento alcançado nesta semana prevê cessar-fogo, reabertura da rota por onde passa parte do petróleo mundial e prazo de 60 dias para definir o programa nuclear iraniano. Assinatura está marcada para sexta em Genebra.
Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo inicial para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz, um dos corredores mais importantes do comércio global de petróleo. O entendimento, alcançado na segunda-feira (15), deve ser assinado nesta sexta-feira (20) em Genebra, segundo o Paquistão, que atuou como mediador.
Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo preliminar para encerrar a guerra que abalou o Oriente Médio e travou o comércio mundial de energia. Pelo entendimento alcançado na segunda-feira (15), os dois países vão estender o frágil cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde escoa parte expressiva do petróleo consumido no planeta. A assinatura está prevista para esta sexta-feira (20) em Genebra, na Suíça, segundo o Paquistão, país que mediou as negociações.
O texto também abre uma janela de 60 dias para que as partes decidam o destino do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã e o futuro de seu programa nuclear. O prazo é apontado por analistas como apertado: o acordo nuclear de 2015 levou anos para ser costurado.
O principal entrave é Israel, que não faz parte do acordo. O ministro da Defesa israelense afirmou que o país não vai se retirar do território que ocupou no sul do Líbano, enquanto o Irã insiste que qualquer entendimento precisa incluir o fim dos combates em solo libanês. O Hezbollah e autoridades libanesas demonstraram ceticismo sobre o cumprimento pelo lado israelense.
Mesmo com a reabertura de Ormuz marcada para esta semana, a normalização não será imediata: segundo a apuração, deve levar meses até que a crise global de energia provocada pelo fechamento do estreito comece a ceder. O presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou que o memorando ainda "não é final" e advertiu que Washington poderia retomar os ataques caso Teerã "não se comporte".
A reabertura de Ormuz tem efeito direto sobre o bolso do brasileiro: a rota influencia o preço internacional do barril de petróleo, referência para os combustíveis vendidos no país. Uma trégua duradoura tende a aliviar a pressão sobre os preços, enquanto qualquer recaída no conflito pode reacender a volatilidade.
Fonte: PBS NewsHour.