Explosões em depósito de munição perto de Kiev matam ao menos 37 no ataque mais letal do ano na Ucrânia
Drones russos atingiram na noite de 28 de agosto um armazém na vila de Myla, no distrito de Bucha; o incêndio provocou horas de detonações secundárias, danificou cerca de 50 casas e um lar de idosos e obrigou centenas a deixar a região
Ao menos 37 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas depois que um ataque russo com drones provocou múltiplas explosões em um depósito na vila de Myla, no distrito de Bucha, região de Kiev, na noite de 28 de agosto, informou a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia.
Segundo a missão da ONU, autoridades ucranianas afirmam que o armazém atingido podia estar guardando munição, e o fogo se alastrou por horas com detonações em sequência. Cerca de 50 residências e um abrigo para idosos e pessoas com deficiência foram danificados, e centenas de moradores tiveram de ser retirados. Entre os mortos está Taras Didych, chefe da comunidade de Dmytrivka. O Ministério da Defesa da Rússia declarou ter atingido em Myla um depósito de componentes e propulsores de drones de longo alcance.
O episódio ocorreu no segundo de três dias de bombardeios quase ininterruptos contra a capital ucraniana e seus arredores.
A Procuradoria-Geral da Ucrânia abriu investigação para apurar se o material explosivo estava armazenado legalmente na empresa e se havia as licenças de segurança exigidas. A missão da ONU lembra que o direito internacional humanitário proíbe ataques que causem perdas civis excessivas e exige que todas as precauções viáveis sejam adotadas para proteger a população — e observa, no mesmo comunicado, que munição não deve ser mantida em áreas densamente povoadas ou perto delas. É uma cobrança que recai sobre os dois lados: sobre quem atirou e sobre quem escolheu onde guardar o paiol.
Fonte: Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia (HRMMU).