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Coluna de Opinião

Fim da jornada 6x1 vira primeiro embate de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

PEC aprovada na Câmara aguarda votação no Senado; candidatos trocam acusações sobre oportunismo político

Otávio Bittencourt ·2 min
Fim da jornada 6x1 vira primeiro embate de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno
Foto: estadao.com.br

A votação sobre o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho, um de descanso) se transformou em campo de disputa eleitoral entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Com a PEC já aprovada na Câmara desde maio, o Senado aguarda apreciação sob pressão de ambos os lados, cada qual acusando o a

A PEC que extingue a jornada 6x1 chegou a um ponto crítico. Aprovada na Câmara em maio, a tramitação travou no Senado até agosto, quando o presidente Alcolumbre destrancou a pauta após se reaproximar de Lula — ambos estavam rompidos desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação do ministro Jorge Messias para o STF. Agora, com as eleições em seu segundo turno, a votação virou teste de força político e símbolo de posicionamento sobre direitos trabalhistas.

Lula cobra do Senado a votação como prometido, acusando grupos de tentar atrapalhar o processo. O presidente demanda que Alcolumbre cumpra o compromisso de levar a matéria ao plenário na primeira semana após o primeiro turno e pressiona o PL para revelar sua verdadeira posição: “Chegou o dia D. Vai ter que dizer se vai ou não votar”. A estratégia é clara — transformar a votação em comprovação de compromisso com trabalhadores.

Flávio Bolsonaro rebate acusando Lula de oportunismo eleitoral. O senador argumenta que a proposta não é sua, mas parte de uma discussão maior sobre liberdade de escolha do trabalhador: quem quer trabalhar mais, trabalha; quem não consegue ou prefere outras prioridades, tem esse direito. Crítico do timing, ele denuncia que o governo deixou a pauta morrer por quatro anos e agora a retoma como movimento de campanha próximo à eleição.

O impacto é duplo. No campo político, ambos os candidatos exploram a votação como medidor de compromisso genuíno com pautas populares — Lula tenta colar no PL a pecha de ser contra a redução da jornada, enquanto Flávio acusa o governo de cinismo eleitoral. No plano prático, a votação definirá se haverá ou não mudança nas relações de trabalho, afetando milhões de trabalhadores brasileiros.

O que chama atenção é a transformação de um debate legítimo sobre organização do trabalho em teste de coerência política dentro de uma disputa presidencial. Seja qual for o resultado, a votação vai informar à sociedade — conforme previsto pelo próprio Lula — quem está disposto a defender a redução da jornada quando chega o momento de votar, não apenas em promessas de campanha.

Com informações de www.estadao.com.br (fonte no link).

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