Senado 2026: quem governa Brasília dependerá menos de Lula
A eleição para a presidência da Casa molda poder sobre STF, vetos e agenda legislativa — e o governo já perdeu músculo
A composição do próximo Senado decidirá muito mais que leis. Vai determinar o ritmo da política, quem senta no Supremo e como o presidente consegue (ou não) governar. A rejeição de Messias mostrou: a tradição de carimbar indicados presidenciais virou pó.
Não é exagero: o Senado que emerge das urnas em 2026 será a chave para entender quem realmente comanda em Brasília nos próximos anos. O caso do indicado Messias ao STF foi o sinal mais claro disso. Ao rejeitar seu nome, o Senado rompeu com décadas de costume e mostrou que a Corte Suprema — cada vez mais importante em temas que queimam — não é mais um apêndice do Palácio do Planalto. Sabatinas e votos no plenário viraram campo de batalha real.
Davi Alcolumbre dominou 2024 como exemplo vivo desse poder. Travou pautas que Lula queria aprovadas — como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública — e só destrancou quando quis, às vésperas da campanha eleitoral. Quem define o ritmo legislativo é o presidente do Senado. Ele marca sessões, conduz votações, decide o que entra ou sai da pauta. É poder bruto, pouco visível mas absolutamente real.
O poder do Executivo encolheu. No terceiro mandato de Lula, mais da metade dos vetos presidenciais foi derrubada pelo Congresso — cifra excepcionalmente alta. E os senadores ainda mexem em projetos de lei aprovados pela Câmara, criando obstáculos diretos ao governo. Sem falar nas emendas parlamentares impositivas: R$ 44,8 bilhões de reais em 2025 que o governo é obrigado a pagar, mas não controla. Isso tira do presidente seu principal ativo de negociação.
O próximo Senado herdará essa dinâmica já consolidada. Quem ocupar a presidência da Casa não será um figurante. Terá nas mãos: o calendário legislativo, a definição de ministros do STF, a capacidade de derrubar vetos e a autoridade para bloquear ou liberar agendas sensíveis. Para o governo — seja qual for em 2027 — a margem de manobra será apertada. O Senado aprendeu a usar o poder que sempre teve.
Com informações de www.dw.com (https://www.dw.com/pt-br/elei%C3%A7%C3%A3o-define-senado-com-poder-decisivo-sobre-governo-stf-e-diplomacia/a-79517388).