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Coluna de Opinião

Senado em aberto: 59% dos eleitores ainda decidem voto e definem futuro do STF

Eleição legislativa de 2026 promete surpresas; composição da Casa interferirá em impeachments e na força do próximo governo

Otávio Bittencourt ·2 min
Senado em aberto: 59% dos eleitores ainda decidem voto e definem futuro do STF
Foto: www1.folha.uol.com.br

Com quase dois terços dos eleitores indecisos sobre o Senado, as eleições de outubro de 2026 para deputados e senadores abrem janela de incerteza sobre o poder do Legislativo frente ao STF e sobre a margem de manobra de um eventual novo governo Lula.

A indecisão é o fio condutor. Pesquisa Datafolha divulgada em 30 de setembro aponta que 59% dos brasileiros não definiram voto para Senado, enquanto apenas 14% já escolheram. Na Câmara o quadro é semelhante: 57% ainda hesitam, contra 43% decididos. Em eleições legislativas, esses percentuais traduzem volatilidade real — os eleitores costumam deixar essas escolhas para o último momento, abrindo espaço para campanhas de último minuto e surpresas na apuração.

O contexto político adiciona peso à incerteza. Hoje, os sete partidos que formam o núcleo duro do governo Lula (PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede) ocupam apenas 125 das 513 cadeiras da Câmara. O Planalto trabalha para reduzir a dependência do centrão em um possível segundo mandato — sinal de que a composição do próximo Congresso será determinante para a governabilidade. Quanto ao Senado, a composição futura interferirá diretamente no futuro de impeachments no STF, questão que tem dividido a base governista e a oposição.

Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, enfrenta contradições que revelam as fraturas internas. Ele acumulou desgastes com o PL ao não pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro — motim que chegou a inviabilizar o plenário. Ao mesmo tempo, faz campanha para Lula na Paraíba e estabeleceu boa relação com o presidente em votações importantes como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6x1. Motta tem reeleição encaminhada em sua base, mas sua permanência à frente da Casa a partir de 2027 dependerá da correlação de forças que sair das urnas.

O desfecho dessa eleição legislativa determinará se um eventual novo governo Lula terá margem confortável para governar ou seguirá refém de negociações fragmentadas com o centrão. Também definirá o poder efetivo do Legislativo para processar impeachments contra ministros do STF — tema que hoje divide governistas e bolsonaristas. A volatilidade do eleitor ainda indeciso — maioria em ambas as casas — torna a apuração de outubro verdadeiramente aberta.

Com informações de www1.folha.uol.com.br (fonte no link).

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