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Coluna de Opinião

Gaza: acordo frágil e acusações sobre quem quer sabotá-lo

Líder da Liga Árabe aponta Netanyahu como obstáculo para implementação do cessar-fogo; negociações chegaram a termos em outubro

Rafael Antunes ·2 min
Gaza: acordo frágil e acusações sobre quem quer sabotá-lo
Foto: tribunadosertao.com.br

O secretário-geral da Liga dos Estados Árabes acusa o primeiro-ministro israelense de bloquear os esforços de paz em Gaza, enquanto mediadores internacionais tentam viabilizar um acordo já assinado há meses.

Em outubro de 2025, após semanas de negociações intensas, Israel e Hamas chegaram a um acordo para encerrar a guerra na Faixa de Gaza com mediação de Egito, Catar, Estados Unidos e Turquia. O texto previa cessar-fogo imediato, libertação de reféns israelenses, libertação de prisioneiros palestinos, aumento de ajuda humanitária e retirada gradual das forças israelenses. Parecia um ponto final possível após meses de conflito. Mas o acordo está longe de virar realidade operacional.

Agora, meses depois, o secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Nabil Fahmy, acusa Benjamin Netanyahu de minar ativamente a implementação do acordo. Segundo Fahmy, o primeiro-ministro israelense quer manter tropas na Faixa de Gaza e desarmou o Hamas completamente antes de qualquer retirada — posição que contradiz os termos já negociados. Netanyahu descartou ainda a possibilidade de um Estado palestino independente, elevando o tom das exigências além do que havia sido acertado.

O problema é estrutural: um acordo de paz não é um contrato fechado que se executa sozinho. Precisa de implementação em fases, confiança mútua e garantias internacionais. Quando uma das partes muda os termos no meio do processo ou coloca condições novas e inaceitáveis, a mediação entra em colapso. Fahmy pediu aos Estados Unidos que façam pressão para avançar a segunda fase do acordo, mas essa pressão diplomática enfrenta uma realidade: Netanyahu tem apoio político interno para endurecer a posição.

O impacto é humanitário e geopolítico. Gaza continua sob tensão, com promessas de paz que não saem do papel. A credibilidade dos mediadores — particularmente dos EUA, que apoiam Israel — fica questionada diante de promessas não cumpridas. E no Oriente Médio, cada fracasso de negociação reforça a narrativa de que soluções diplomáticas não funcionam, alimentando ciclos de violência.

Para o Brasil e o Paraná não há impacto direto neste momento, embora questões de estabilidade geopolítica no Oriente Médio afetem fluxos de energia e commodities globais a médio prazo.

Com informações de www.tribunadosertao.com.br (fonte no link).

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