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BR Política ·
Coluna de Opinião

Governo leva ao STF disputa sobre decretos do IOF sustos pelo Congresso

Advocacia-Geral da União quer reverter decisão legislativa que anulou aumentos nas alíquotas do imposto financeiro

Otávio Bittencourt ·3 min
Governo leva ao STF disputa sobre decretos do IOF sustos pelo Congresso
Foto: www12.senado.leg.br

O Palácio do Planalto acionou o Supremo Tribunal Federal para questionar a validade da suspensão de decretos presidenciais que elevaram as alíquotas do IOF. A jogada judicial revela a intensidade do embate entre Executivo e Legislativo sobre arrecadação e controle de política fiscal.

O governo federal apresentou uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) no STF contestando a decisão do Congresso Nacional de sustar decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aumentavam alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras. Trata-se de um conflito clássico de competências: o Executivo vê nos seus atos decretos legítimos de gestão fiscal; o Legislativo entende que extrapolam seus poderes e afetam a tributação de forma que exige aprovação congressual. A Advocacia-Geral da União aposta que o Supremo validará os decretos e revertará a suspensão.

O contexto importa. O IOF é ferramenta importante na arrecadação federal—a IFI (Instituição Fiscal Independente) estimava R$ 10 bilhões a mais com o aumento do imposto em 2025. Para o governo, elevar essa alíquota era caminho para ajudar a atingir metas fiscais e reduzir o déficit. Para o Congresso, a medida transpunha limites do poder regulamentador do presidente. Ambos os lados reclamam legitimidade constitucional.

O que o STF decidir estabelecerá precedente sobre até onde vai o poder presidencial de editar decretos em matéria tributária sem aprovação legislativa. Se o tribunal der razão ao governo, reforça a margem do Executivo. Se mantiver a suspensão, delimita mais claramente essa linha. O tribunal já havia, em momento anterior, validado o aumento do IOF em decisão do ministro Alexandre de Moraes, sinal de que há abertura para argumentos da União, mas a ADC agora coloca a questão formalmente em pauta.

Não há gancho direto ao Paraná nos decretos em discussão. O IOF afeta todo o sistema financeiro nacional de forma horizontal. Bancos, seguradoras e instituições de crédito do estado sofrem o mesmo impacto que as do Rio ou de São Paulo. A relevância para o Paraná é indireta: maior IOF pode encarecera inadimplência de pessoas físicas e empresas, afetando fluxo de crédito local.

A disputa também sintetiza a fragilidade institucional em torno de decisões orçamentárias: em vez de negocia bem clara entre poderes, usa-se o Supremo como árbitro. Isso consome tempo processual e mantém investidores e contribuintes em suspense sobre regras que afetam seus negócios. Para o Congresso, é uma defesa do seu papel; para o governo, é obstáculo à governabilidade fiscal. O STF terá de escolher lado.

Com informações de www12.senado.leg.br (fonte no link).

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