Hegseth anuncia que os EUA preparam ataques em terra contra o narcotráfico na América Latina
Secretário de Defesa americano falou no Panamá, em encontro da Coalizão das Américas contra os Cartéis; Colômbia entrou no bloco como 19º membro na véspera
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que Washington prepara operações em terra contra organizações do narcotráfico na América Latina, ampliando a campanha hoje concentrada em embarcações.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou no Panamá, nesta quinta-feira (13), que o governo americano pretende estender para alvos em terra a ofensiva contra organizações do narcotráfico na América Latina — hoje concentrada em ataques a embarcações em águas internacionais. Segundo ele, os Estados Unidos querem desenvolver, junto com aliados, capacidade operacional semelhante à empregada contra os barcos, e já trabalham com países como Equador e Colômbia.
“Em qualquer lugar onde você trafica drogas ou ameaça o povo americano ou nossos parceiros, você é um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda”, afirmou. Ele também classificou remanescentes das guerrilhas colombianas como “alvos legítimos” e apresentou a estratégia como uma releitura da Doutrina Monroe, que apelidou de “Doutrina Donroe”, em referência a Donald Trump.
A declaração foi feita em encontro da Coalizão das Américas contra os Cartéis, aliança militar multinacional liderada por Washington e criada em março de 2026, que reúne 19 países. A Colômbia aderiu ao bloco em 12 de agosto, e Hegseth afirmou que Bogotá autorizou “operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes terroristas”.
A campanha aérea contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico Leste, iniciada em setembro do ano passado, já deixou mais de 200 mortos, segundo balanços da imprensa internacional. O escopo anunciado agora vai da produção e do transporte de cocaína na América do Sul às redes ligadas ao fentanil e aos cartéis mexicanos.
Com informações da Gazeta do Povo, da CNN Brasil, da AFP (via Swissinfo) e da Jovem Pan.