Irã e EUA em disputa de resistência: como a guerra muda cálculos políticos e afeta a economia global
Seis meses de conflito alteram estratégia de Trump e Netanyahu; acordo entre Irã e Omã busca desafogar Estreito de Ormuz
O que começou como uma possível vitória rápida se transformou numa guerra de desgaste com consequências econômicas imprevistas. Irã e EUA travam agora uma disputa onde a duração do conflito pesa tanto quanto sua resolução militar.
O conflito entre Irã e Estados Unidos mudou de natureza nos últimos seis meses. Se no início havia esperança de uma conclusão rápida que rendesse dividendos políticos — especialmente para Donald Trump nas eleições parlamentares americanas de novembro — a realidade se mostrou mais complexa. A guerra se estendeu, os custos econômicos subiram e o resultado ficou menos previsível do que o previsto.
Para Trump, o cálculo é ambíguo. Uma vitória rápida poderia fortalecer sua posição eleitoral, mas a duração inesperada do conflito trouxe problema econômico relevante: a pressão sobre os preços do petróleo. Esse fator pode custar caro nas eleições, reforçando a lógica de que conflitos prolongados geram custos domésticos que eleitores não perdoam. Para Benjamin Netanyahu, a lógica é outra — trata-se de sobrevivência política direta, não apenas cálculo eleitoral.
A tentativa de desafogar a região vem de uma parceria inusitada: Irã e Omã firmaram acordo na quarta-feira (26) para criar um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz, viabilizando a passagem de embarcações comerciais pelas águas iranianas e omanenses. É sinal de que mesmo em contexto de tensão militar, há espaço para negociações comerciais que protejam o fluxo de comércio global.
A pressão econômica é real e transnacional. Não é apenas questão de petróleo caro nos EUA: tarifas comerciais e incerteza sobre rotas de transporte afetam exportadores globais. Dados indicam que setores como calçados brasileiros já sentem o impacto de tarifas americanas de 25%, com projeção de queda de 7,1% nas exportações em 2026. A guerra não é só militar — é também pressão econômica difusa que alcança cadeias de suprimento do mundo inteiro.
O que separa resistência política de colapso econômico é muitas vezes apenas uma questão de tempo. Quanto mais a guerra se estender, mais atores — Trump, Netanyahu, lideranças iranianas — descobrirão que vencer militarmente não basta se o preço doméstico for insuportável. Por isso a criação de corredores comerciais e negociações paralelas importam: são válvulas de escape que evitam escalada total.
Com informações de www.globalsouthworld.com.br (fonte no link).