Israel bombardeia base aérea na Síria por tropas turcas e leva reprimenda rara dos EUA
O gabinete de Netanyahu assumiu os ataques à pista de Abu al-Duhur, em Idlib, alegando quebra do acordo de status quo; Ancara nega deslocamento militar e Damasco recorreu ao Conselho de Segurança da ONU
Caças israelenses atacaram na terça-feira (18) a base aérea de Abu al-Duhur, no noroeste da Síria, horas depois da visita de militares turcos ao local. O gabinete de Benjamin Netanyahu justificou a ação e recebeu uma crítica pública incomum de Washington, que classificou o ataque como "escalada desnecessária".
Aeronaves israelenses bombardearam nesta terça-feira (18) a base aérea de Abu al-Duhur, na província de Idlib, noroeste da Síria, a cerca de 70 quilômetros da fronteira com a Turquia. Os ataques atingiram a pista de pouso e a área de armazenamento, causaram danos à infraestrutura e não deixaram vítimas, segundo militares sírios ouvidos pela Reuters. A ação ocorreu horas depois de uma delegação militar turca inspecionar o local.
À noite, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divulgou nota assumindo a operação: afirmou que “Israel e Síria concordaram com um status quo em matéria de segurança”, que Damasco esteve “à beira de romper ao permitir que tropas turcas se desdobrassem numa base aérea perto de Aleppo”, e lembrou que já havia advertido repetidamente contra esse deslocamento.
A reação internacional foi imediata e desfavorável a Israel. A Turquia negou a presença militar no local, chamou a versão israelense de pretexto — “Israel está inventando pretextos para bombardear países vizinhos e desestabilizar a região” — e cobrou responsabilização. A Síria classificou os ataques como “ato injustificado de agressão” e “violação flagrante da soberania”, e pediu ao Conselho de Segurança da ONU uma condenação.
O ponto mais sensível para o governo israelense, porém, veio de Washington: o enviado especial dos EUA para a Síria, Tom Barrack, disse estar “profundamente preocupado” e afirmou que os ataques “constituem uma escalada desnecessária que não contribui para a estabilidade regional” — crítica pública rara de um governo que costuma respaldar as operações israelenses.
Fonte: The Jerusalem Post.