Israel e Líbano negociam em Roma a retirada de tropas, mas Hezbollah rejeita entregar as armas
Sexta rodada de conversas diretas ocorre na embaixada dos EUA com foco nas duas 'zonas-piloto'; presidente libanês exige recuo imediato antes de qualquer avanço.
Delegações de Israel e do Líbano começaram nesta terça-feira (14), na embaixada dos Estados Unidos em Roma, dois dias de reuniões para discutir como aplicar na prática o acordo-quadro assinado em 26 de junho, em Washington. É a sexta rodada de negociações diretas — as cinco anteriores ocorreram na capital americana — e o encontro se encerra nesta quarta-feira (15), com mediação dos EUA. O acordo-quadro prevê o fim da guerra no Líbano, o desarmamento de grupos armados (referência ao Hezbollah), o envio de tropas libanesas ao sul do país e a retirada progressiva das forças israelenses. O conflito já matou mais de 4 mil libaneses e deslocou cerca de 1 milhão de pessoas desde março de 2026.
O nó da negociação são as chamadas "zonas-piloto": duas áreas no sul do Líbano onde a sequência seria desarmar o Hezbollah, retirar as tropas israelenses e desdobrar o Exército libanês, região por região. O presidente libanês, Joseph Aoun, instruiu sua delegação a exigir a retirada imediata das forças israelenses dessas duas áreas antes de qualquer discussão posterior. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou estar pronto para avançar na implementação das duas zonas-piloto. Beirute mantém o formato trilateral, com os americanos à mesa, para evitar que os encontros sejam lidos como negociação bilateral direta com Tel Aviv.
Dois obstáculos permanecem de pé. O Hezbollah rejeitou tanto o acordo quanto os esforços para desarmá-lo — e sem o desarmamento do grupo, Israel afirma que suas tropas seguirão na "zona de segurança" ao longo da fronteira. Além disso, ataques israelenses letais continuaram durante o processo, e o acordo-quadro não fixou cronograma para a retirada. As conversas ocorrem à sombra da escalada entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, que redesenha o cálculo de todos os atores da região.
Fonte: Al Jazeera.