Venezuela eleva a mais de 4.300 os mortos no terremoto e oposição acusa governo de bloquear entrada de Machado
Duplo tremor de 24 de junho segue cobrando vítimas; autoridades da presidente interina Delcy Rodríguez são acusadas de subnotificar mortes e barrar líder opositora vinda do exílio.
As autoridades da Venezuela elevaram em 11 de julho para 4.333 o número de mortos no duplo terremoto que atingiu o país em 24 de junho, quando dois tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com 39 segundos de diferença, com epicentro no município de Veroes, no estado de Yaracuy. Cerca de 16,7 mil pessoas ficaram feridas e dezenas de milhares seguem desaparecidas, em um balanço que críticos e o sistema PAGER, do serviço geológico dos Estados Unidos, consideram subestimado, com projeções que podem passar de 10 mil mortos. A tragédia virou teste político para a presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA no início do ano, enquanto a líder opositora María Corina Machado afirma ter sido impedida de reentrar no país para participar dos esforços de socorro e permanece no Panamá.
Os dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho, de magnitudes 7,2 e 7,5 e com epicentro no estado de Yaracuy, seguem cobrando vítimas semanas depois. Em 11 de julho, o governo elevou o número oficial de mortos para 4.333, com cerca de 16,7 mil feridos e dezenas de milhares de desaparecidos, cifras que autoridades locais admitem ainda estar em revisão.
Parte dos críticos vê nos números oficiais uma tentativa de subnotificar a dimensão da catástrofe. O sistema PAGER, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, projetou um total de mortos potencialmente muito superior ao divulgado, podendo ultrapassar 10 mil, diante da destruição de infraestrutura e da dificuldade de acesso a áreas remotas.
O desastre se tornou o maior teste da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos no início de 2026. Rodríguez decretou estado de emergência e zona de desastre, anunciou comitês de inspeção e projetos de realojamento e um pedido de fundos ao FMI, mas enfrenta acusações de resposta lenta e de politizar a ajuda.
A líder opositora María Corina Machado, fora do país desde o fim de 2025, afirma ter tentado retornar para apoiar as ações de socorro e acusa o governo de bloquear sua entrada e de restringir comunicações para ocultar a escala da destruição. Impedida de cruzar a fronteira, ela permanece no Panamá, de onde tem se manifestado por vídeo.
Fonte: Al Jazeera.