Mercosul e Japão abrem negociações de acordo comercial
Bloco sul-americano e potência asiática selam parceria econômica após meses de preparação
O Mercosul e o Japão iniciaram formalmente as negociações de um acordo de parceria econômica. O anúncio foi feito em 16 de junho durante encontro entre o presidente Lula e a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, à margem da cúpula do G7 na França.
O acordo representa um passo estratégico para ambos os lados em um cenário de reconfiguração das cadeias globais de comércio. O Japão, economia avançada dependente de importações de commodities e energia, busca diversificar seus fornecedores. O Mercosul, por sua vez, enxerga na potência asiática um mercado robusto para seus produtos agrícolas e energéticos, além de oportunidade de atração de investimentos.
O timing não é casual. As discussões preparatórias, que começaram em dezembro de 2025 sob um marco de parceria estratégica, já cobriram temas sensíveis como comércio, investimento e contexto geopolítico. O lançamento formal será na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no final de junho em Assunção, consolidando o compromisso político dos países envolvidos.
Para o Paraná, há gancho real nesta negociação. O estado é produtor de grãos (soja e milho) e proteína animal com demanda crescente em mercados asiáticos. Um acordo Mercosul-Japão poderia reduzir barreiras tarifárias e ampliar a penetração desses produtos paranaenses no mercado nipônico, historicamente protegido. Além disso, investimentos japoneses em logística e processamento de alimentos poderiam chegar ao estado.
Há também indicações de que o Japão busca aumentar compras de petróleo brasileiro, conforme sugerem conversas recentes entre a Petrobras e autoridades nipônicas. Essa demanda reforça a importância energética do Brasil na estratégia comercial de Tóquio e pode impulsionar investimentos em infraestrutura no país.
O próximo desafio é transformar intenções em resultados concretos. Negociações comerciais de bloco a bloco são complexas e envolvem sensibilidades internas significativas. O Mercosul terá de conciliar interesses divergentes de seus membros enquanto o Japão negocia um acordo que equilibre abertura de mercado com proteção a setores estratégicos domesticamente. Espera-se que as negociações avancem ao longo do segundo semestre de 2026.
Com informações de www1.folha.uol.com.br (fonte no link).